Câmara de Capinzal homenageia Banda da Assembleia de Deus com Moção de Aplauso |
Prof. Evandro Ricardo Guindani Universidade Federal do Pampa - Unipampa
Diferente dos animais, nós humanos sentimos a necessidade de dar sentido a tudo o que fazemos, até porque fazemos e vivenciamos certas coisas que parecem não ter sentido e muita lógica. Uma das experiências mais duras é a morte e a doença, por exemplo. O que faz com que uma pessoa consiga suportar a perda de um ente querido? Quanto mais ela conseguir dar sentido àquela perda, mais ela terá forças para suportar. E aqui entra o universo simbólico do indivíduo, que é o universo das crenças, da imaginação. Quando a realidade material e concreta não possui uma explicação convincente ou se torna muito dura, o indivíduo busca tentar explicá-la por meio de outra realidade imaterial.
Aqui entra o mundo das crenças, parece ser um mundo paralelo que a pessoa vive, no qual busca elementos para lidar com a dureza e frieza da realidade material concreta. Quando você nasce já lhe é oferecido um determinado sistema de crenças, com rótulo de aprovação familiar e social. Se nascer em uma família cristã, receberá prontinho um sistema diferente de quem nasce numa família da umbanda, candomble, ou adepta ao budismo, hinduísmo.
O sistema de crenças é construído, aprimorado, aperfeiçoado no decorrer do tempo, assumindo diferentes características em cada grupo humano. Numa comunidade cristã católica de uma pequena cidade, por exemplo, o conforto e o sentido para a morte será a crença da ressurreição, e a ideia de que logo as pessoas se encontrarão novamente, ou seja, uma crença muito importante para aquele momento que concretamente é uma despedida definitiva.
É preciso portanto entender, que a crença é um sistema que funciona de diferentes formas em cada indivíduo, que nasceu em um determinado contexto cultural. A crença de um determinado local e grupo não pode ser válida para todas pessoas do planeta. Esse é o papel fundamental da escola e do ensino religioso, que deve trabalhar nessa árdua missão de problematizar as crenças pessoais na perspectiva da ética e da diversidade. Geralmente as crenças possuem valores e princípios, que podem fomentar o desrespeito e preconceito em relação a outros grupos de outros contextos culturais. A crença não pode ser visto como algo verdadeiro porque ela não pode ser generalizada. Os adeptos a um determinado sistema de crença sempre tentam de todas as formas buscar uma legitimação racional e científica para defender a sua crença. No cristianismo por exemplo, muitos tentam buscar provas e explicações para narrativas bíblicas.
A crença é algo que não pode ser ensinado, ela apenas pode ser vivenciada. É a mesma coisa que você querer ensinar o gosto de uma banana para alguém que nunca comeu a fruta. Como na catequese e escola biblica das igrejas, as crianças podem até decorar os ensinamentos, mas jamais conseguem aprender ou entender, porque é um tipo de conhecimento que só pode ser compreendido por meio da experiência, assim como, o sabor da banana.
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