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A China faz até chover

Mario Eugenio Saturno(https://www.facebook.com/Mario.Eugenio.Saturno/ ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Cientistas chineses realizam diversos experimentos para fazer chover, até nevar. No mais extenso experimento, fizeram a semeadura de nuvens com drones adaptados e que resultou na precipitação de mais de 4% em uma área de 8.000 km² em um único dia, de acordo com a Administração Meteorológica da China (CMA).

A operação gerou mais de 70.000 metros cúbicos de precipitação adicional utilizando apenas 1 kg de iodeto de prata, um composto comum para semeadura de nuvens. Essa quantidade de pó de iodeto de prata mal encheria uma caneca térmica de viagem.

O teste foi detalhado em um artigo revisado por pares publicado no periódico chinês Desert and Oasis Meteorology. Dois drones de médio porte subiram a altitudes de 5.500 metros em 9 de julho de 2023, liberando o iodeto de prata em quatro voos consecutivos sobre as pastagens de Bayanbulak, de acordo com o estudo. O pó amarelado era envolto em uma barra de combustão e liberado na atmosfera na forma de fumaça. As partículas de iodeto de prata foram dispersas a uma taxa de 0,28 gramas por segundo.

Desde 2021, a equipe do projeto interligou 24 estações terrestres automatizadas com satélites e frotas de drones. O sistema de drones permite fazer operações de aumento de chuva ou neve em todas as condições climáticas, durante todo o ano e em larga escala, conforme explicam os pesquisadores no artigo. E ainda com menores riscos de segurança, maneabilidade, controle preciso e com ampla cobertura.

Práticas semelhantes de modificação climática têm sido realizadas em outros países e em outras regiões da China, como Guizhou, Xangai, Gansu e Sichuan.

Para determinar se uma operação de semeadura de nuvens amplificou a precipitação, determinar as medidas precisas do volume de água ganho e qual o benefício projetado para o ano todo, os cientistas empregaram três métodos de validação para examinar os resultados de forma cruzada.

1) Espectrômetros de gota de chuva mostraram os diâmetros das gotas expandindo de 0,46 mm para 3,22 mm após a semeadura, enquanto imagens de satélite registraram resfriamento do topo das nuvens em até 10°C e crescimento vertical de cerca de 3 km, provando o efeito positivo com evidências físicas.

2) A análise estatística, baseada em 50 anos de dados climáticos regionais, estimou em 78.200 metros cúbicos de chuva adicional, com um aumento relativo de 3,8%.

3) Simulações em supercomputador previram um aumento de 73.800 metros cúbicos (4,3% de incremento), alinhando-se estreitamente com as observações em solo.

Em 31 de maio de 2011, escrevi um artigo lembrando do projeto do então Centro Técnico de Aeronáutica - CTA (hoje DCTA) para fazer chover no Nordeste. Desistiram, mas um engenheiro do ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica, não. Ele dispensou o poluidor iodeto de prata e utilizava gotas de água potável. A SABESP o contratou em 2001, garantindo água para São Paulo. Sugeri que o governo criasse drones para isso, dentro do programa de Veículos Não Tripulados.

Nossos financiadores desanimam fácil, os chineses não! Será que algum chinês leu meu artigo?


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