Por Jaime Telles
No período quaresmal, a palavra conversão também teve outro sentido. Os políticos correram a maratona da Semana Santa, rezando para convencer as partes.
A pressa tinha motivo. E não era paixão.
No sistema proporcional, o mandato pertence ao partido, não ao candidato. Se fizesse errado, amargaria o chocolate. Cada movimento precisou ser calculado.
Mas quantos sabem fazer isso? Quantos acertaram em suas decisões?
O eleitor olha a janela de fora para dentro. E o que vê nem sempre é escolha ampla. Abaixa a cabeça e decide entre os nomes que os partidos colocam ali. Goste ou não, o jogo já vem montado. Vai na fé.
A troca de partido até parece estratégica. Mas nem sempre é. Em pouco tempo veremos que as diferenças farão diferença. Logo se escancararam oportunismo e desespero, sem mistério.
Quem vive de movimento sem consistência, e nem lidera a própria agremiação, passa o período eleitoral tentando provar muitas coisas. E aí, a desconfiança vira certeza.
Foi um bom teste para medir coerência. Afinal, os valores valem ou mudaram por conveniência?
De joelhos diante do confessionário do pleito, há quem negue a própria origem.
Ah, passa longe de libertação e mais ainda da salvação prometida.
Coincidência: acabamos de vivenciar o tempo pascal - Pessach, a travessia. A janela abriu espaço — e algo mais. Separou quem tinha lado de quem apenas se reposicionava. Separou quem sustentava discurso de quem troca para se sustentar. Distinguiu o estrategista do sonhador.
Santa Ceia ou pança cheia?
A indigesta mistura sanguínea logo se mostrará como água e óleo. A seu tempo, cada um buscará supremacia em mesas separadas, como antes.
Não adianta lavar pés estranhos, nem jurar humildade e purificação, nem marcar suas portas com o sangue de outra tipagem.
Ah, e ainda é preciso convencer na convenção.
Nesse cenário, o olhar atento do eleitor separa quem produz de quem faz muita espuma e busca juntar o “injuntável”.
O certo é certo. O duvidoso é sempre risco.
A janela fechou.
No domingo, houve quem saboreasse um cardápio ambrosíaco em boa companhia, mas também teve quem suportasse prato indigesto, à base de pão ázimo e ervas amargas, além de abraços frios, olhares desconfortáveis e sorrisos amarelos.
Resta ao eleitor manter-se atento quanto à “passagem”, cujo desenho aponta para o trabalho a superar o devaneio eleitoral de última hora — e sem levedura.
Aleluia!
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