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Do bullying ao protagonismo: como o “nerd” virou um dos perfis mais valorizados pelo mercado de tecnologia
O “nerd” já foi sinônimo de exclusão, timidez e estereótipos caricatos nos corredores da escola. Hoje, no entanto, esse mesmo perfil é cada vez mais associado à inovação, criatividade e às profissões mais valorizadas do mercado. Em um mundo movido por tecnologia, inteligência artificial e transformação digital, características antes vistas como “diferentes” passaram a ser grandes diferenciais profissionais.
Esse movimento é percebido diariamente dentro da ProWay, escola de tecnologia catarinense que acompanha de perto a mudança no comportamento das novas gerações e na forma como os jovens enxergam o universo tech.
Para o professor de tecnologia da instituição, Vinicius Afonso, o estereótipo do “nerd isolado” ficou no passado. Segundo ele, a tecnologia se tornou parte da vida de todos, e isso transformou completamente a percepção sobre esse perfil.
“Antes, quem gostava muito de computador, games, tecnologia ou passava horas pesquisando na internet era visto como diferente da turma. Hoje isso mudou completamente. Muitas vezes é justamente essa pessoa que está mais conectada com o futuro, com inovação e criatividade”, afirma.
A mudança aconteceu, principalmente, quando o mercado passou a perceber o valor de habilidades como curiosidade, raciocínio lógico, capacidade de aprender sozinho e resolução de problemas. Em um cenário onde praticamente todas as empresas dependem de tecnologia, profissionais com esse perfil passaram a ganhar espaço.
“A tecnologia muda o tempo inteiro. Então as empresas procuram pessoas que saibam aprender rápido, pesquisar soluções e se adaptar. Não é mais só sobre diploma. É muito sobre mentalidade”, explica Vinicius.
Outro fator decisivo para essa transformação foi a popularização da cultura geek. Games, streaming, inteligência artificial, criação de conteúdo e comunidades online aproximaram uma nova geração da tecnologia desde cedo. Hoje, muitos jovens têm o primeiro contato com lógica, inglês e criatividade justamente através do universo digital.
A inteligência artificial também ajudou a democratizar o acesso à área. Se antes programação e tecnologia pareciam distantes ou extremamente técnicas, hoje ferramentas de IA ajudam iniciantes a aprender, testar ideias e desenvolver projetos de forma mais acessível.
Segundo o professor, isso já aparece no perfil dos alunos da ProWay. “Antes existia mais medo de entrar na área de tecnologia. Hoje as pessoas chegam muito mais curiosas e abertas, entendendo que tecnologia não é só programação. Existem oportunidades para diferentes perfis.”
Além do desenvolvimento de software tradicional, áreas como inteligência artificial, segurança cibernética, ciência de dados, computação em nuvem, UX/UI, automação, games e engenharia de prompts estão entre as carreiras que mais cresceram nos últimos anos.
Para Vinicius, muitos jovens ainda se limitam por insegurança, mesmo tendo afinidade com o universo tech. “Ninguém começa sabendo. O mais importante é ter curiosidade e vontade de evoluir. Muitas vezes aquilo que começa como hobby acaba virando profissão”, conclui.
Texto: Bruna Campos
Fotos: Divulgação ProWay
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