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ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA - O DRAMA DA SAÚDE PÚBLICA

Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalista (MT/SC 4155)

Isagogicamente, o sistema de saúde dos Estados Unidos da América é frequentemente citado como um dos mais onerosos e, paradoxalmente, um dos mais díspares entre os países desenvolvidos, configurando verdadeiro drama de saúde pública.

Diferentemente de outras economias centrais os EUA não possuem um sistema universal de saúde garantido pelo Estado, o que faz com que o acesso a serviços médicos de qualidade dependa, em grande medida, da capacidade financeira do indivíduo ou de sua vinculação a planos privados, geralmente associados ao emprego. Esse modelo gera profundas desigualdades sociais, deixando milhões de cidadãos vulneráveis à falta de atendimento adequado, especialmente em emergências ou doenças crônicas.

Conquanto o investimentos bilionários em tecnologia médica, pesquisa científica e inovação farmacêutica, os indicadores de saúde pública norte-americanos, como expectativa de vida e mortalidade infantil, muitas vezes ficam abaixo dos registrados em países que adotam sistemas públicos universais. Um dos principais fatores que explicam esse paradoxo é o alto custo dos serviços médicos, que engloba consultas, internações, exames especializados e, sobretudo, medicamentos, cujos preços são significativamente mais elevados do que em outras partes do mundo.

Em corolário, grande parte da população evita buscar atendimento preventivo, recorrendo ao sistema de saúde apenas quando a doença já se encontra em estágio avançado.

Destarte, tal comportamento redunda em maiores taxas de complicações clínicas, internações prolongadas e custos ainda mais elevados, tanto para os indivíduos quanto para o próprio sistema. Programas governamentais como o Medicare e o Medicaid foram criados com o objetivo de amenizar essas falhas estruturais, oferecendo cobertura a idosos, pessoas de baixa renda e indivíduos com deficiência.

Contudo, esses programas não conseguem atender de forma plena e igualitária toda a população, mantendo lacunas significativas no acesso aos cuidados básicos de saúde.

No entanto, a execução do “Affordable Care Act” representou um avanço relevante ao ampliar o número de pessoas com algum tipo de cobertura médica, reduzindo parcialmente o contingente de pessoas sem seguro.

Todavia, a iniciativa adversou forte resistência política e limitações práticas, o que dificultou sua consolidação como uma política pública abrangente e permanente. Paralelamente, problemas sociais como obesidade, dependência de opioides, transtornos mentais e violência armada intensificam o quadro da saúde pública, exigindo respostas governamentais integradas que ultrapassem o simples tratamento médico.

Ademais. o drama da saúde pública nos Estados Unidos não está na escassez de recursos financeiros ou tecnológicos, mas na maneira como esses recursos são distribuídos e administrados.

Em epítome, a hegemonia da lógica de mercado e do lucro sobre o bem-estar coletivo compromete o princípio da saúde como direito fundamental.

 Por final, em face de tal cenário, tornam-se prementes reformas estruturais que promovam maior equidade, ampliem o acesso aos serviços de saúde e conciliem eficiência econômica com justiça social, assegurando que todos os cidadãos tenham condições dignas de cuidado e prevenção.


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