logo RCN
O TEMPO jornal de fato

Após transplante de fígado, paciente celebra volta à rotina e ao convívio com a família

História de professor paulista que aguardou órgão compatível no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, reforça como o transplante representa uma nova chance

Mais do que um procedimento médico de alta complexidade, o transplante representa a possibilidade de recomeçar, um novo ponto de partida. No Dia Mundial dos Transplantados, celebrado em 6 de junho, histórias de pacientes que retomaram a rotina após enfrentar doenças graves ajudam a mostrar o impacto que a doação de órgãos tem na vida de quem aguarda a oportunidade de voltar a viver plenamente.
 

Foi o que aconteceu com Paulo Doniseti Leme Jr., de 38 anos, professor de biologia e barbeiro. Natural de São Paulo, ele recebeu o diagnóstico de colangite esclerosante primária em 2024, uma doença rara e autoimune que compromete os canais biliares do fígado. Com a progressão do quadro, o transplante hepático tornou-se sua única alternativa de tratamento.
 

Em dezembro de 2025, Paulo entrou para a fila de transplante do Hospital Santa Isabel, em Blumenau, e precisou se mudar temporariamente para a cidade para aguardar um órgão compatível. Durante cerca de 40 dias, permaneceu longe da família enquanto enfrentava sintomas cada vez mais severos, como cansaço extremo, falta de ar, dificuldades de memória e uma intensa coceira causada pela doença.
 

Segundo ele, a distância dos familiares foi um dos aspectos mais difíceis do processo. A espera pela ligação que poderia mudar sua vida exigiu equilíbrio emocional diante da ansiedade e da incerteza. Quando a notícia finalmente chegou, em abril deste ano, a reação foi imediata. “A ligação foi uma explosão de sentimentos. Vontade de chorar, de pular de alegria, de ligar para todos da família e contar que a espera tinha chegado ao fim”, lembra.
 

O transplante foi realizado no Hospital Santa Isabel no dia 9 de abril. Pouco tempo depois, Paulo já percebia mudanças significativas na qualidade de vida. Os sintomas que limitavam sua rotina desapareceram e atividades simples voltaram a fazer parte do dia a dia. “Hoje minha qualidade de vida é de uma pessoa que não fez transplante. Consigo me alimentar, dormir e fazer todas as tarefas que faria normalmente”, afirma.
 

Para a médica Dra. Maíra Silva de Godoy, responsável técnica pela Equipe de Transplante Hepático do Hospital Santa Isabel, o procedimento costuma representar muito mais do que a recuperação física. Após meses ou anos convivendo com doenças graves, os pacientes passam a enxergar novamente perspectivas para o futuro. “O transplante geralmente devolve autonomia, melhora significativa da qualidade de vida e possibilita a retomada de atividades pessoais, profissionais e sociais”, explica.
 

Ela destaca que o sucesso do tratamento vai além da cirurgia. O acompanhamento contínuo é fundamental para preservar a saúde do órgão transplantado e garantir qualidade de vida ao paciente. No Hospital Santa Isabel, por exemplo, o cuidado envolve uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais, que acompanham cada etapa da jornada.
 

Número de transplantes no HSI, referência nacional na área

Atualmente, o serviço acompanha 881 pacientes transplantados de fígado e 32 transplantados cardíacos. Referência para os 293 municípios catarinenses e também para pacientes de outros estados, o Hospital Santa Isabel realizou, somente em 2025, 368 transplantes, sendo 220 de rim, 102 de fígado, 22 de pâncreas, 16 de córnea e 8 de coração.
 

Entre todos os momentos vividos por Paulo durante a doença e a recuperação, um deles permanece especial: o reencontro com a filha após meses de separação. “Meu sonho era rever minha filha. Fiquei dois meses sem vê-la e isso era o que eu mais queria. Graças a Deus consegui abraçar e beijar muito ela”, conta.
 

No Dia Mundial dos Transplantados, a experiência do professor também serve como mensagem de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Para ele, o gesto tem impacto não apenas sobre quem recebe o transplante, mas em toda a família que acompanha a luta contra a doença. “Quando o telefone toca, toda a vida dos familiares volta a ser restaurada. Eu vivenciei isso e a felicidade é incrível”, conclui.
 

Histórias como essa ajudam a dimensionar a importância da doação de órgãos em um país que registrou mais de 31 mil transplantes em 2025, o maior número da história, mas que ainda convive com milhares de pacientes à espera de uma oportunidade de recomeçar.


Fotos: Arquivo pessoal
 



 



 


O TEMPO jornal de fato desde 1989: 

Nadja Cortes

https://chat.whatsapp.com/IENksRuv8qeLrmSgDRT5lQ

https://www.facebook.com/aldo.azevedo.5/

https://www.facebook.com/otempojornaldefato/

O Tempo de fato (@otempofato) - Instagram

https://www.youtube.com/@otempojornaldefato



RÁDIO MASSA FM CAPINZAL PROMOVE A 5ª EDIÇÃO DO RBVERDE Anterior

RÁDIO MASSA FM CAPINZAL PROMOVE A 5ª EDIÇÃO DO RBVERDE

Especialistas apontam mudança de cultura como principal desafio da construção civil Próximo

Especialistas apontam mudança de cultura como principal desafio da construção civil

Deixe seu comentário