Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, Comunicador
A história do rádio no Brasil inicia em 1922: no dia 7 de setembro entrou no ar a Rádio Sociedade Rio de Janeiro, com potência de 500 watts. Seus fundadores queriam fazer do rádio um instrumento de cultura que ajudasse a reduzir o analfabetismo no país, e até os dias atuais, algumas escolas tem a “rádio-recreio”, operada pelos alunos.
Uma das mais antigas emissoras de Santa Catarina é a Rádio Sociedade Catarinense, de Joaçaba, que estreou em 1945 com o prefixo ZYC-7. A pioneira foi a Rádio Clube de Blumenau, que surgiu em 1929 como um serviço de alto-falante e funcionou de forma clandestina até 1936, quando recebeu a licença oficial. Em 1941 a Difusora de Joinville, em 1942 a Difusora de Itajaí, em 1943 a Guarujá da Capital.
Aqui na cidade temos as rádios Capinzal 102.3 FM, Massa FM 99.7 (anteriormente RBV) e Nativa FM 98.7, oferecendo programação jornalística, musical e comunitária para a região. Elas estão disponíveis via rádio, online e aplicativos.
No século XIX diversos estudiosos investigavam uma maneira de aprimorar as ferramentas de comunicação combinando o uso do telégrafo elétrico, a radiação eletromagnética e o telefone com fio. A combinação dessas três tecnologias seriam as grandes responsáveis pela invenção do rádio, que foi patenteado no ano de 1901, pelo físico italiano Guillermo Marconi e os meios de comunicação ganharam importância na expansão do capital.
Nascido em Bolonha em 1874, o italiano Marconi foi um visionário cujas pesquisas com ondas eletromagnéticas. Utilizando tecnologias baseadas em estudos de Heinrich Hertz e nos princípios patenteados por Nikola Tesla, Marconi enfrentou uma batalha judicial, pois afirmava nunca ter lido as patentes desse físico experimental, engenheiro eletricista e mecânico nascido na Sérvia em 1856, mais conhecido por suas invenções e contribuições ao projeto do moderno sistema de fornecimento de eletricidade em corrente alternada.
Marconi faleceu em 1937, aos 63 anos. Em outubro de 1943, a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ser falsa a alegação dele e determinou que não havia nada em seu trabalho que não tivesse sido anteriormente descoberto por Nikola Tesla. A relação entre eles foi marcada por intensa rivalidade, disputa de patentes e contribuições fundamentais para o desenvolvimento da tecnologia de rádio e comunicação sem fio no final do século XIX e início do seguinte. Enquanto Marconi foi amplamente reconhecido como o inventor do telégrafo sem fio comercial, Tesla detinha patentes fundamentais sobre a tecnologia de transmissão sonora, gerando um debate histórico sobre quem realmente "inventou" o rádio.
Contrariando os registros oficiais um grupo de entusiastas gaúchos atribui a invenção do rádio, ainda em 1892, a um padre católico chamado Roberto Landell de Moura. Segundo relatos, em 3 de junho de 1900, esse padre reuniu figuras da imprensa, políticos e outras personalidades para a demonstração de seu invento em plena Av. Paulista. Sem utilizar fios, o padre conseguiu transmitir a voz humana e sinais telegráficos à incrível distância de oito quilômetros.
Landell não conseguiu a projeção e o patrocínio necessários. Desanimado com o resultado de seu esforço intelectual, foi aos Estados Unidos patentear seus inventos e em 1901 registrou três patentes históricas: transmissor de ondas, telefone sem fio e telégrafo sem fio, ideias que antecipavam o rádio e até a comunicação óptica. Ele falava de conceitos à frente de seu tempo, como “teletêmio” e “fonoelétrico”, próximos do que hoje conhecemos como rádio e walkie-talkie. Em outubro de 1902 o jornal norte-americano “The New York Herald” realizou uma entrevista com o clérigo brasileiro. Ele declarou: "Dai-me um movimento vibratório tão extenso quanto a distância que nos separa desses outros mundos que rolam sobre nossa cabeça, ou sob nossos pés, e eu farei chegar minha voz até lá."
No depoimento de Landell podemos perceber as dificuldades que enfrentou para prosseguir com suas pesquisas. Além de salientar que sua intenção era mostrar que a Igreja não era inimiga da ciência, Landell de Moura fez questão de relatar que, enquanto esteve no Brasil, foi perseguido por pessoas que invadiram suas instalações e destruíram ferramentas de trabalho.
Vale a pena conhecer a incrível trajetória de Roberto Landell de Moura, esse engenhoso padre-cientista gaúcho. Nascido em Porto Alegre em 1861, Landell cresceu entre disciplina, fé e uma curiosidade inquieta. Enquanto outras crianças brincavam, ele desmontava o mundo, tentando entender seus segredos e desde cedo já parecia enxergar além do seu tempo. Entre sermões e estudos, decidiu ir além mostrando as limitações de um tempo em que a tecnologia e a educação eram preocupações relegadas ao esquecimento.
Foi ordenado padre em 1886 em Roma. Mas dentro dele ardia algo raro: uma sede profunda por conhecimento, especialmente sobre som, luz e eletricidade. De volta ao Brasil, não se limitou ao altar. Um gênio silencioso do Brasil, incompreendido em vida, eternizado na história e pouco conhecido ou valorizado. Por volta de 1893, quando o mundo ainda dependia de fios e cartas escritas para se comunicar, Landell ousou o impossível: transmitir a voz humana pelo ar. Aos 32 anos, anos antes de Marconi ganhar fama mundial, realizou experimentos em São Paulo e em 1899 conseguiu transmitir voz sem fio por cerca de 8 km, atravessando colinas e construções.
Para Landell, não havia conflito entre fé e ciência: “Não vejo oposição entre a Religião e a Ciência, ambas partem de Deus”. De dia, pregava; à noite, inventava. Morreu em 1928, aos 67 anos, sem o reconhecimento que merecia. Mas o tempo fez justiça e Landell é lembrado como um dos pioneiros das comunicações sem fio. Um gaúcho que falou com o invisível e foi ouvido pelo futuro.
Assim como Landell de Moura, muitos brasileiros geniais caminharam — e ainda caminham — à frente do seu tempo, muitas vezes sem apoio, sem recursos nem reconhecimento, como a cientista Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora e bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, associada a uma "cura" revolucionária no início deste 2026. Ela desenvolveu a polilaminina, uma molécula experimental com potencial para regenerar neurônios rompidos na medula espinhal, permitindo que pessoas com tetraplegia ou lesões graves na medula recuperem movimentos. Mas é assim que a história se move: com sonhadores, teimosos, curiosos e apaixonados pelo conhecimento e pela comunicação.
Quem, naquela época, imaginaria o que ouvimos hoje, de maneiras tão diferenciadas e instantâneas? Que venham mais sonhadores e nos tragam a alegria diária de ouvirmos bons sons, vindos de aparelhos que não podemos imaginar como serão.
Muito antes da chegada da televisão, o rádio conquistou multidões graças ao futebol e à música popular, aliando a informação e a publicidade e foi, ao seu tempo, o mais importante meio de comunicação. Como aciona apenas um dos sentidos do ser humano, ouvir rádio provoca imagens mentais, aguça a criatividade e a imaginação.
O rádio, que um dia foi visto como milagre, depois como companhia inseparável das famílias, hoje divide espaço com celulares, internet e novas tecnologias. Mas uma coisa continua igual: a necessidade humana de se comunicar, de contar histórias, de informar, de emocionar e de aproximar pessoas. Quem viver, verá – e ouvirá, o que nos reserva o futuro!
Falar no rádio não é apenas transmitir palavras pelo ar. É levar companhia a quem está sozinho, levar notícia a quem precisa, levar música e emocionar, levar esperança a quem precisa acreditar. O rádio tem alma, tem história e tem gente que fala com o coração por trás do microfone.
E enquanto existir alguém disposto a ligar um microfone e alguém do outro lado disposto a ouvir, o rádio continuará vivo, atravessando o tempo, as tecnologias e as gerações.
O TEMPO jornal de fato desde 1989:
https://chat.whatsapp.com/IENksRuv8qeLrmSgDRT5lQ
https://www.facebook.com/aldo.azevedo.5/
https://www.facebook.com/otempojornaldefato/
O Tempo de fato (@otempojornalfato) - Instagram
https://www.youtube.com/@otempojornaldefato
Deixe seu comentário