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O TEMPO DE FATO

SANTA TERESINHA, A PADROEIRA DA DIOCESE

Antonio Carlos Pereira, nascido em Joaçaba no Ano Santo de 1950

A Catedral Santa Teresinha do Menino Jesus, localizada no coração de Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina, é um símbolo arquitetônico e espiritual de grande relevância. Descrita como um ponto de peregrinação e espiritualidade, é palco de celebrações religiosas que moldam a vida da comunidade local. Seus vitrais coloridos, altar artístico e o enorme crucifixo em madeira, esculpido por Gotfredo Thaler, contribuem para essa atmosfera.

A devoção à Santa Teresinha do Menino Jesus remonta aos primórdios da formação religiosa da cidade. Ela inspira a fé e a devoção de seus habitantes, marcando a história e as tradições locais. Em 2 de janeiro de 1930, Dom Daniel Hostin, então Bispo da Diocese de Lages, criou a Paróquia de Joaçaba. Um marco fundamental foi a elevação da paróquia à condição de Catedral, em 12 de junho de 1975, com a criação, pelo Papa Paulo VI, da Diocese de Joaçaba. Naturalmente, Santa Teresinha do Menino Jesus foi instituída como a padroeira da nova diocese. A relação entre a santa e a cidade foi ainda mais aprofundada em 1º de outubro de 2025, quando a Catedral foi elevada a Santuário Diocesano, reconhecendo o local como importante centro de fé, reforçando a missão evangelizadora da Diocese e Joaçaba como polo de turismo religioso.

Um marco profundo de fé e espiritualidade para o povo foi a chegada no ano passado das relíquias de Santa Teresinha e de seus pais, Santa Zélia e São Luís Martin, no Santuário Catedral Santa Teresinha do Menino Jesus, e de maneira especial para componentes das pastorais e das Congregações Religiosas que atuam na Diocese de Joaçaba, como descrito no maravilhoso livro-álbum “Jubileu de Ouro: Diocese de Joaçaba 50 Anos” (Ed. Unoesc, 2025).

As relíquias de primeiro grau de Santa Teresinha (ex ossibus, um fragmento do osso) e de seus santos progenitores São Luís e Santa Zélia (ex carne, fragmentos da carne) foram trazidas pelo bispo Dom Mário Marquez e pelo pároco padre Joveci, que acompanharam os padres Emannuel Schwab, reitor do Santuário de Santa Teresinha de Lisieux, na França, e Eduardo Toledo, capelão da Basílica de Santa Teresinha, ambos daquela cidade. Antes de vir para o Aeroporto Santa Teresinha, em Joaçaba, as relíquias peregrinaram por Brasília e Florianópolis e agora estão expostas em lugar de destaque na Catedral.

No dia 12 de junho de 2025 acompanhamos, no Santuário Catedral de Joaçaba, a Santa Missa de Entronização das Relíquias, com a presença de autoridades religiosas, militares, políticas e civis, além do clero, religiosos, seminaristas e uma grande participação da comunidade regional. Cada fragmento vem acondicionado em um relicário (selado com cera vermelha e carimbo oficial da autoridade eclesiástica competente), acompanhado de um documento de autenticação. Na Igreja Católica, as relíquias são tratadas com profundo respeito e veneração (nunca adoração, que é reservada apenas a Deus), como um sinal tangível da comunhão com os santos, pois são sinais sagrados da ação de Deus.

Na ocasião o padre Joveci, pároco e reitor do Santuário Catedral de Santa Teresinha, comentou: “Agora podemos afirmar que nosso Santuário aprofunda a experiência com a família a partir da inspiração de possuirmos um grande exemplo de fé a partir de Santa Teresinha, São Luís e Santa Zélia. Nesse sentido, celebramos a família em louvor a Deus por todas as graças que vivemos ao longo desses 95 anos da criação da nossa Paróquia e 50 anos da Diocese”.

Em 2017 O bispo diocesano Dom Mário Marquez já havia trazido de Roma uma relíquia de primeiro grau da nossa Padroeira, recebida das mãos do postulador geral da Ordem dos Carmelitas, padre Romano Gambalunga, OCD, a qual foi apresentada no primeiro dia de outubro de 2017, na celebração do centenário de Joaçaba.  Dom Mário celebra: “Estamos vivendo um momento de graças e bênçãos em nossa Diocese, ao celebrar 50 anos de evangelização em nossos 31 municípios, 27 paróquias e as 626 comunidades que compreendem essa linda região de Santa Catarina e do Brasil, que devota sua fé à Santa Teresinha como a padroeira de toda a Diocese”.

A pequena Teresinha perdeu a mãe quando tinha apenas quatro anos e sua educação ficou sob os cuidados de Paulina, a irmã mais velha. Quando Paulina entrou para o Carmelo, Teresinha enfrentou sérios problemas de saúde. Contudo, um dia, enquanto observava a imagem da Imaculada Conceição de Maria, viu a Virgem Maria sorrir para ela e se sentiu curada e decidiu: queria ir para o Carmelo. Suas irmãs Maria, Paulina, Leônia e Celina também seguiram o caminho religioso como freiras.

Aos 14 anos solicitou permissão ao Papa Leão XIII e ingressou na ordem das carmelitas descalças. Em abril de 1888 entrou para o Carmelo sob o nome de Thérèse de l’Enfant Jésus, Teresa do Menino Jesus — e da Sagrada Face, como ela acrescentou: “et de La Sainte Face”, ao fazer a profissão religiosa em setembro de 1890, no dia da Natividade da Virgem Maria.

Teresinha ficava feliz quando jogava pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório, e também gostava de jogar flores no grande crucifixo do jardim do Carmelo. Ela profetizou que, após sua morte, faria “chover sobre o mundo uma chuva de rosas, e que iria interceder a Deus sempre, por todos os povos”. Por isso, na Novena de Santa Teresinha o fiel espera receber uma rosa como sinal de que seu pedido será atendido.

Em sua autobiografia “História de uma Alma”, Teresinha ensina a teologia profunda da simplicidade, que chama de “pequena via”. Essa abordagem à santidade baseia-se em realizar pequenas ações cotidianas com amor, reconhecendo que não tinha forças para realizar as grandes obras dos santos famosos da Igreja. Ela enfatiza que até mesmo tarefas simples, pegar um alfinete do chão com amor, podem gerar frutos de santidade.

“Compreendi que a igreja tinha um coração, e que este coração ardia de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da igreja agirem, que se o amor viesse a se apagar, os apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os mártires se recusariam a derramar seu sangue… no coração da Igreja, serei o amor.” Dizia sempre o que conta é o amor, só o amor. É contemplar no outro a pessoa de Jesus. Para ela, ser missionário não é uma questão de geografia, e sim uma questão de amor.

Enfrentou a dor com paciência e amor, sem nunca reclamar ou murmurar. A 30 de setembro de 1897, aos 24 anos, faleceu de tuberculose, doença incurável na época. Em seu leito de morte, as monjas registraram suas palavras finais, nas quais expressou seu amor a Deus: “Oh! Eu o amo! Meu Deus, eu vos amo”. Assim, encerrou a vida da jovem que seria reconhecida como a maior santa dos tempos modernos.

Sua Santidade, o Papa Pio XI promoveu sua beatificação em 1923 e apenas dois anos depois, sua canonização — e em 14 de dezembro de 1927 proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face como Padroeira Universal das Missões, reconhecendo nela o mesmo valor da ação missionária de São Francisco Xavier, possuidor da linhagem heroica dos missionários que foram a terras distantes anunciar o Evangelho, arriscando a saúde e a vida, enquanto ela passara a vida em oração na espiritualidade carmelita.

Para Santa Teresinha, a santidade não estava nas grandes obras, mas na capacidade de transformar os pequenos gestos de cada dia em expressões de amor. Diante de suas relíquias, diariamente visitadas, o povo pode recordar que a fé também se constrói no silêncio, na oração, na família, na caridade e na simplicidade de quem procura fazer o bem. A cada rosa oferecida, prece elevada e lágrima transformada em esperança, renova-se a certeza de que o amor, quando verdadeiro, nunca é pequeno.

E assim, no coração de Joaçaba, Santa Teresinha continua sua missão: ser presença que consola, inspira e aponta para Deus. Do alto de sua pequena grandeza, ela parece repetir àqueles que chegam ao Santuário: não é preciso fazer coisas extraordinárias para deixar marcas no mundo; basta amar extraordinariamente aquilo que Deus coloca diante de nós. Que suas rosas continuem florescendo sobre Joaçaba, sobre nossas famílias e comunidades, e que sua “pequena via” nos ensine, todos os dias, a transformar a vida em uma oração feita de gestos de amor.

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