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O TEMPO DE FATO

A SOCIEDADE CONSUMISTA!

Prof. Me. Ciro José Toaldo

    Desenvolvendo atividades extras, tenho percorrido inúmeros supermercados e outras lojas de produtos alimentícios. Por incrível que pareça, independentemente do dia, horário ou de outras nuances, esses estabelecimentos estão sempre cheios.

    A própria dimensão que o supermercado foi ganhando no decorrer do tempo — onde o cliente tem fácil acesso ao produto que deseja —, atrelada às arrebatadoras promoções espalhadas por todos os lados e às estratégias de marketing bem planejadas desde a entrada até a saída da loja, é uma ferramenta de grande utilidade para instigar o consumidor a colocar produtos em seu carrinho, muitas vezes sem real necessidade.

    E este é o ponto central deste artigo: por quais razões estamos tão ávidos por um consumo desenfreado? Em muitos casos, o indivíduo sabe que determinado produto poderá até mesmo prejudicar a sua saúde; contudo, acaba sendo levado pelas ondas do consumismo espalhadas por vários segmentos, tornando-se um mero 'boneco' em um jogo violento inserido nessa cultura de massa.

    Esse consumismo desenfreado — em muitos casos atrelado a um estilo de vida desregrado e desprovido de hábitos saudáveis, algo altamente condenável pelos preceitos da medicina — torna os seres humanos propensos a doenças de todos os tipos. E, nesse quesito, outro ramo da sociedade consumista ganha um forte potencial: o farmacêutico.

    Sem ser saudosista nem retrógrado — pois sei que não há como retroceder no tempo —, tenho a coragem de descrever como vivíamos quando criança, em comparação com toda essa facilidade atual. Minha mãe fazia apenas uma compra por mês, o chamado 'rancho', realizado em uma venda com balcão. Mediante uma lista, ela pedia individualmente os mantimentos necessários ao balconista. Era muito interessante: ela voltava para casa sem nada e, horas depois, um veículo entregava as mercadorias. Para nós, aquilo era uma festa, pois naquele dia teríamos alguns quitutes. Já para meu pai, lembro que, à noite, ao ver a nota de gastos, ele costumava ficar nervoso, dizendo que o valor havia passado muito do limite.    Enfim, essa foi a forma como tanto eu, que vos escrevo, quanto minhas irmãs fomos criados. Assim, éramos levados a compreender que nem tudo poderia ser obtido no momento desejado, e que a falta de algo só seria suprida no mês seguinte. Esse aprendizado, ainda hoje, faz-me compreender que preciso ter organização e, especialmente, saber contornar as situações adversas.

    Quantas famílias, com seus poucos recursos, tentam driblar as mais variadas situações para não 'frustrar' os filhos dentro dos supermercados? É evidente que há a necessidade de oferecer uma educação firme para evitar constrangimentos nesses locais.

    A grande questão é a necessidade de refletir, usar a razão e procurar estar acima das mazelas e dos chamarizes espalhados por todos os lados, que muitas vezes determinam o nosso estilo de vida. Aqui, sempre valerá a máxima que defendemos em nossos escritos: o TER nunca poderá determinar o nosso SER. Tenha consciência de que os outros não devem ditar sua forma de viver. Não se trata de ir contra leis ou normas, mas de procurar ser autêntico, manter a humildade e jamais deixar-se levar pelo cruel e sanguinário consumismo. Cuidado: em muitos casos, isso se torna uma 'bola de neve' gigantesca, gerando inúmeros problemas de ordens psíquica, emocional e social.

Viver em uma sociedade com tamanha magnitude de consumo requer determinação e sabedoria para diferenciar o que realmente necessitamos para sobreviver daquilo que caracteriza o consumismo. Deve-se ter em mente que o primeiro supre a necessidade real de sobrevivência ou de bem-estar, ao passo que o segundo é impulsionado pelo desejo supérfluo e pela busca por status social.

Quiçá você tenha entendido a urgente necessidade de refletir, enquanto há tempo, sobre as implicações de se viver em uma sociedade consumista. Por favor, não me entenda de modo adverso!

Boa reflexão!


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