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A VIAGEM A GUADALUPE, MÉXICO (parte final)

  • - Luciana rezando o terço com Frei Gilson no trajeto.jpg(1)

por Luciana Reese Pereira Tesser, Jorge Luiz Cordeiro Tesser, Marina Suelí Antônia Reese Pereira e Antonio Carlos Pereira

Continuamos narrando a viagem que fizemos em janeiro ao Santuário de Guadalupe, no México. Na primeira tarde visitamos a “Capela de San José de Altillo” onde ficam as relíquias da Beata Conchita. Escritora, leiga, esposa e mãe de nove filhos, ela viveu entre 1862 e 1937, foi beatificada em 4 de maio de 2019 e é reconhecida como fundadora de várias famílias religiosas e apostolados, conhecidos coletivamente como as Obras da Cruz, dedicadas à santificação dos sacerdotes e ao amor à Cruz. Ali participamos da celebração da Santa Missa e dedicamos um tempo de oração para reflexão pessoal.

Nessa moderna construção está também a imagem de Nossa Senhora do Silêncio, na escultura ela tem o dedo indicador junto aos lábios, pedindo silêncio, e a mão esquerda aberta, convidando à calma e à escuta, como a ensinar a importância da quietude para ouvir a voz de Deus, meditar e guardar os mistérios divinos, como Maria fez em sua vida, pedindo recolhimento e oração, ensinando a conservar as coisas no coração e a encontrar Deus no recolhimento interior e na meditação, percebendo a voz divina em um mundo barulhento.

No dia seguinte, após o café no hotel, a manhã foi dedicada para visita a Tulpetlac, local da quinta aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, com missa e meditação. Após o almoço visitamos Cuautitlán, o Santuário da segunda Casa de San Juan Diego, onde ouvimos do Frei Gilson explicação detalhada sobre as aparições da Virgem Maria.

5ª feira, 6ª e sábado fomos todos à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o segundo maior local de peregrinação católica do mundo. Visitamos a Basílica Velha, uma construção em alvenaria de pedra talhada, ou cantaria, com fachada barroca, quatro torres octogonais e uma cúpula coberta de azulejo do século XVI. Ela está levemente inclinada devido ao afundamento do solo, causado pelo peso da sua estrutura e pelo fato de a Cidade do México ter sido construída sobre o leito do Lago de Texcoco, que foi aterrado.

A Basílica Nova, inaugurada em 1976, guarda a imagem original da tilma e recebe anualmente milhões de fiéis. Como destino de peregrinação espiritual, oferece museus e lojas em um ambiente de forte devoção popular à Padroeira das Américas. Na lateral do altar estão bandeiras de diversos países que ajudaram na construção, inclusive a nossa, pois o Brasil doou a madeira para o forro da Basílica.

Em 1945 o Papa Pio XII proclamou Nossa Senhora de Guadalupe como a Imperatriz de todas as Américas. Ao aparecer pela primeira vez ao índio, ela pediu “que se erga aqui uma casita sagrada para nela eu mostrar e dar todo meu amor, compaixão, socorro e defesa, pois sou a vossa piedosa Mãe, tua e de todos os homens que, nesta terra, estais reunidos, e todas as demais pessoas que me amam, para que me invoquem e em mim confiem”, conforme o manuscrito mais importante do evento “Nican Mopohua” (ou "Aqui se Narra", na língua náuatle), publicado na Cidade do México em 1649, escrito cem anos antes pelo professor Antônio Valeriano, que anotou o que ouviu do próprio Juan Diego.

A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, “estampada” sobre o manto, representa um fenômeno que desafia a compreensão científica, pois a tilma é tecida a partir da fibra da planta agave, comumente chamada de maguey. Esse manto era uma vestimenta típica dos camponeses indígenas, conhecida por ser rústica e barata. Uma tilma feita de fibra de maguey, exposta ao ambiente, umidade e poeira, normalmente dura entre 20 a 30 anos antes de se desintegrar, mas o manto de Guadalupe permanece intacto há quase 500 anos.

Não se encontram sinais de tinta nem pigmentos e apresenta detalhes, como constelações mapeadas e imagens dentro dos olhos, que cientistas afirmam ser impossíveis de replicar, mesmo com as técnicas conhecidas, sugerindo origem não-humana, sobrenatural. Frei Gilson nos relatou que, após uma das Santas Missas que celebrou, foi convidado a ver a imagem de perto. A tilma já sofreu ataques e por isso fica em um quadro blindado, que pode ser virado para a parte de dentro da sala que fica atrás do altar. Frei Gilson chegou muito próximo e confidenciou que não é uma pintura, parece "flutuar" sobre o tecido. Não tem como fazer uma pintura naquele tecido rústico.

Esses objetos que representam um ponto de encontro entre a fé, a tradição oriental de ícones e a busca por evidências físicas do divino são conhecidos como “achiropita”, termo grego bizantino que significa "não feitos pelas mãos". São ícones ou relíquias sagradas cristãs que a tradição acredita terem sido criadas milagrosamente, e não por mãos humanas. Geralmente retratando Jesus ou Maria, são considerados autênticos "retratos divinos" e instrumentos de graça divina, como o Santo Sudário.

E diante daquela tilma — simples, rústica, improvável — permanecemos nós também: pequenos, frágeis, mas sustentados por uma graça que não se explica, apenas se acolhe.

Aos pés da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, olhando para a imagem que atravessou quase cinco séculos intacta, compreendemos que a fé é assim: não se desgasta com o tempo, não se corrói com os abalos, não se apaga com os ataques. Ela permanece.

E voltamos para casa com os corações marcados por cada missa celebrada, pelos terços rezados nos deslocamentos que fizemos, cada silêncio vivido diante da Mãe. Voltamos diferentes. Não por termos visto algo extraordinário aos olhos do mundo, mas porque experimentamos o extraordinário de Deus no ordinário da caminhada: nos aeroportos, nos ônibus, nas refeições partilhadas, no susto do alarme na noite do abalo sísmico, na proteção sentida, na comunhão de mais de 250 brasileiros unidos pela mesma devoção e aprofundamento espiritual.

Se a tilma é um sinal de algo que não foi feito por mãos humanas, talvez a maior obra também não tenha sido feita por nós. Foi Deus quem conduziu cada detalhe, desde o chamado durante o Rosário em setembro de 2025, o visto na data e no local certos, o silêncio profundo na grandiosa Cidade do México.

Hoje, ao recordar essa peregrinação, ecoa em nossa alma a frase inscrita sobre a porta do santuário: “¿No estoy yo aquí, que soy tu Madre?”

Sim, Mãe. A Senhora estava lá. E continua aqui!

Guardamos tudo no coração — como Maria — certos de que Nossa Senhora de Guadalupe segue à nossa frente, abençoando nossa família, protegendo nossos amigos e ensinando-nos a confiar, mesmo quando o chão parece tremer.

E assim, entre recordações, gratidão e fé renovada, encerramos essa viagem com a certeza mais doce: nós fomos até Guadalupe, mas foi a Mãe quem veio ao nosso encontro.

Oremos por nossos familiares e nossos bons amigos, que Nossa Senhora de Guadalupe nos abençoe e proteja.

Na próxima edição, mais detalhes sobre o manto.

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