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Gaslighting
Mario Eugenio Saturno (https://www.facebook.com/Mario.Eugenio.Saturno/ ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.
No mês passado, o presidente Trump declarou que "os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro". Apesar de muito ingênuo acreditar, o apresentador Jimmy Kimmel, em seu programa, lembrou que isso que o Trump fez é "gaslighting". Ele ainda brincou que se ouve muito o termo gaslighting, mas raramente quando se trata de gasolina de verdade.
A palavra foi inspirada na peça Gas Light, de Patrick Hamilton, nos anos 1930, mas que ficou conhecida por causa do filme de 1944, Gaslight (no Brasil, ganhou como título: À Meia Luz), estrelado por Ingrid Bergman e Charles Boyer e dirigido por George Cukor, e que dramatiza o conceito de gaslighting.
No filme, o ladrão de joias Gregory procura pedras preciosas raras que pertenciam a uma mulher rica que ele assassinou anos antes. Ele se casa com a sobrinha da vítima, Paula, e continua sua busca pelas joias, que acredita estarem escondidas na casa dela. Com medo de que Paula descubra seu plano, ele tenta levá-la à loucura. Entre outras táticas, ele muda objetos de lugar e quando ela percebe, ele diz que ela está esquecida. Com o tempo, Paula começa a duvidar de si mesma e de sua percepção da realidade.
Só mais de uma década depois o termo gaslight foi associado ao fenômeno. O antropólogo Anthony Wallace usou a palavra em 1961, no livro Culture & Personality, para descrever essa tática de manipulação.
A palavra gaslight foi a "Palavra do Ano" da Merriam-Webster em 2022. Tornou-se uma palavra da moda usada contra chefes ruins, ex-namorados e líderes de todo o espectro político.
A socióloga e cientista da Universidade de Michigan Paige Sweet, que estuda o fenômeno em relações íntimas, descreve o gaslighting como fazer alguém se sentir louco. "É alguém tentando fazer você parecer ou se sentir louco", diz ela. É como "ver algo acontecer e depois ser informado de que isso não está acontecendo".
Mas vai além de simplesmente mentir. Kate Abramson, autora de On Gaslighting diz que "Mentirosos comuns só querem que você acredite em algo. Isso pode fazer parte de um esforço maior para minar sua capacidade de julgamento, ou não."
Quando o gaslighting funciona, diz Sweet, "você sente que a culpa é sua ou que há algo errado em você por pensar que o que está acontecendo está realmente acontecendo, fazendo você desconfiar de si mesmo como testemunha da realidade."
No filme de 1944, o gaslighting é explícito, uma manipulação planejada por um criminoso com intenções claras. Na vida real, os sinais nem sempre são tão óbvios. O abusador alimenta-se da vítima não saber exatamente o que está acontecendo com ela.
Mas quem pratica gaslighting nem sempre age por pura maldade. Muitas vezes, é um mecanismo de defesa para exercer poder em uma situação. Mulheres são mais frequentemente vítimas de gaslighting. Elas são socializadas para serem mais conciliadoras e mais propensas a buscar terapia.
Ser capaz de nomear essa experiência desorientadora pode ajudar as vítimas a recuperar sua identidade. Então, divulguemos!
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