Prefeitura de Zortéa recebe representantes do SENAC para apresentação de propostas de capacitação |
Mario Eugenio Saturno (https://www.facebook.com/Mario.Eugenio.Saturno/ ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.
Nos anos 1980, o Japão prometia revolucionar todos os campos profissionais com Sistemas Especialistas, um precursor das inteligências artificiais. Em 1984, um professor da Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, levou seus alunos (eu era um) a Campinas ver uma palestra de um pesquisador dos Estados Unidos sobre o assunto e que apontou o fracasso iminente.
Hoje, com o atual desenvolvimento das IA, seu uso no combate ao crime organizado, especialmente no tráfico de drogas, armas e seres humanos, pode ser um novo paradigma. E fazer coisas que as autoridades nem imaginam como mineração de dados para identificação de padrões e predição de eventos. Inclusive a indicação de traidores dentro das forças policiais ou autoridades em geral.
A primeira coisa e mais fácil é a coleta de informações já nos bancos de dados das polícias, também das notícias de jornais de todas as mídias, incluindo Youtube, Instagram, Facebook, sites, etc. Os dados da Receita Federal e do COAF são essenciais. Os perfis dos trabalhadores do crime podem ser criados e comparados com todos usuários de mídia, todo criminoso gosta de exibir seus bens.
Transações ligadas a operações criminosas podem ser detectadas. E grandes operações criminosas são precedidas por gastos específicos e aumento de comunicação. Creio que uma lei deveria ser criada para fiscalizar transações bancárias de menor valor. Isso traria fortes indicativos de corruptos, fraudadores e criminosos.
A IA para monitorar as comunicações de criminosos ou suspeitos que tiveram quebra de sigilo autorizada pela Justiça. O monitoramento pode ser feito em tempo real, o que geraria muitos flagrantes. Também podem ser utilizados para detectar falsos positivos, escaramuças para distrair a polícia. E ainda auxiliar nos interrogatórios ou entrevistas de rua, a IA pode identificar mentiras e sugerir perguntas.
O reconhecimento facial já parece estar bem desenvolvido, mas há muito espaço para a IA, por exemplo, a escolha dos melhores locais para a instalação das câmaras. O mesmo pode ser aplicado na instalação de postos fixos e móveis de policiais ou outros agentes, como seguranças do Metrô, para coibir o crime.
E ainda realizar a geolocalização de locais de atividades criminosas, também utilizando monitoramento aéreo (drones). Aliás, a orientação do posicionamento de viaturas, helicópteros e policiais sem necessidade de denúncia prévia, realizando um policiamento ostensivo. Movimentos indiretos dos moradores podem ser usados para detectar movimentação criminosa, como de cargas roubadas, encontro de criminosos, etc.
Utilização de dados históricos (datas, horários, dias da semana, feriados, fases da lua, eventos esportivos) para prever picos de roubos, homicídios ou ataques a bancos e caminhões. E inclusão de fatores variáveis como operações policiais recentes (prevendo reações de retaliação), liberações de presos em massa, dados climáticos (previsão de chuva pode redirecionar policiais). Também a montagem de perfis de presos que não retornam ou que cometam crimes pode auxiliar as autoridades na prevenção.
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