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O MANEZINHO, NO SEU DIA

Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos Jornalista (MT/SC 4155)

Em primeiro lugar, há figuras que não cabem apenas nos registros oficiais, nos livros de história ou nas homenagens de calendário. O manezinho é uma delas. Ele é mais do que o morador nascido em Florianópolis.

Trata-se do estilo de falar, de rir, de receber, de contar causos e de guardar, mesmo no meio da modernidade, uma relação afetiva profunda com a Ilha de Santa Catarina.

Destarte, no seu dia, celebrar o manezinho é reconhecer uma identidade construída entre o mar, os morros, as comunidades tradicionais, a pesca, as festas religiosas, o boi de mamão, a renda de bilro, os engenhos, os ranchos, as praias e os bairros que ainda preservam a memória de uma Florianópolis mais simples, mais próxima e mais comunitária.

O manezinho carrega no sotaque uma marca de pertencimento. Sua fala ligeira, cheia de expressões próprias, não é apenas uma curiosidade linguística. É patrimônio cultural. É herança açoriana misturada ao cotidiano da Ilha. É a voz de quem aprendeu a olhar o tempo pelo vento, a maré pela experiência e a vida com certa dose de humor.

Contudo, homenagear o manezinho não pode ser apenas um exercício de nostalgia.

 A cidade mudou, cresceu, verticalizou-se, recebeu novos moradores e novos costumes. Ainda assim, permanece o desafio de preservar aquilo que dá alma a Florianópolis: sua cultura popular, sua memória, suas comunidades e seus modos de viver.

Todavia, o manezinho representa essa ponte entre o transato e o presente. Ele lembra que desenvolvimento não precisa significar apagamento. Que uma cidade pode crescer sem esquecer suas raízes. Que a modernidade deve conviver com a tradição, e não a substituir.

Por conseguinte, neste dia dedicado ao manezinho, a homenagem deve alcançar todos aqueles que mantêm viva essa identidade: o pescador, a rendeira, o contador de histórias, o morador antigo, o artista popular, o jovem que valoriza sua origem e todos quanto, porque que em face de transformações da cidade, continuam reconhecendo na cultura local uma razão de orgulho.

Celebrar o manezinho é celebrar Florianópolis em sua essência. É valorizar a simplicidade, a oralidade, a memória, a alegria e a resistência cultural de um povo que ajudou a formar a alma da Ilha.

Em suma, o Dia do Manezinho se configura em mais do que uma data comemorativa.

Por final, deve se converter em convite permanente ao respeito, à preservação e ao reconhecimento de uma identidade que segue viva, falante, criativa e profundamente ligada ao coração de Florianópolis.


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