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Antonio Carlos Pereira, presidente da SCAJHO de 2008 a 2012
O movimento artístico conhecido pela sigla SCAJHO teve início no ano de 1952, com a vinda do Sr. Alfredo Rudolfo Sigwalt a Joaçaba. Ele conhecia migrantes alemães, poloneses, italianos, austríacos que eram bons músicos e convocou aproximadamente trinta deles, metade dos quais eram daqui e outros das cidades de Concórdia, Erechim, Marcelino Ramos, Piratuba, Videira, Caçador. Donos de invejáveis qualidades artísticas e culturais e dispostos a participar de um empreendimento artístico musical, pois desde 1942 existia aqui a Sociedade “Cultura Musical” de Cruzeiro e Erval, os antigos nomes de Joaçaba e Herval d’Oeste. Em poucos anos a Scajho evoluiu de tal forma que projetou a cidade como capital cultural artística do Planalto e Oeste Catarinenses.
Para adaptar-se às necessidades, em 1963 foi reformulado o estatuto da antiga banda e alterado o nome para SOCIEDADE DE CULTURA ARTÍSTICA DE JOAÇABA E HERVAL D’OESTE – SCAJHO. Tendo à frente o renomado Maestro Alfredo Sigwalt, e com suas estruturas reorganizadas, a instituição voltou a brilhar na região, promovendo belíssimas apresentações da orquestra de concertos, com solistas vocais, grupo cênico de cantores e coral misto.
Na década de 1960 iniciou-se uma batalha que culminaria, no ano de 2003, em um espaço projetado para a iniciação de crianças, jovens e adultos na arte da música e do canto, que também acolheria os componentes da orquestra, solistas e coral. A construção do Teatro iniciou na segunda metade da década de 1970, mas a obra ficou inacabada por muitos anos.
Eu me lembro com saudade o tempo que passou! Naquele histórico dia 30 de agosto do ano 2003, o Diário Catarinense publicava: “A cidade de Joaçaba comemora hoje a inauguração do Teatro Alfredo Sigwalt, após 25 anos de obras e investimentos de R$ 500 mil. O novo espaço cultural tem tratamento acústico, climatizado e salas multiuso”.
O Teatro impressiona pela sua imponente arquitetura e é o orgulho da cidade. Com capacidade para 459 lugares, possuindo uma acústica perfeita e um excelente acabamento interno, recebe o louvor dos visitantes e elogios dos atores, cantores e músicos que nele se apresentam.
Hoje o Teatro Alfredo Sigwalt se apresenta como uma verdadeira casa viva de cultura, concretizando o sonho de nosso saudoso maestro. Com diversas oficinas culturais em atividade, atende centenas de alunos a cada ano, promove espetáculos de qualidade e contribui de forma significativa para a transformação da sociedade. Instrutores voluntários enriquecem essa missão com seus conhecimentos e técnicas, enquanto a remuneração dos professores é viabilizada por meio de projetos aprovados nas esferas estadual e federal, além de parcerias com as prefeituras de Joaçaba e Herval d’Oeste, devidamente autorizadas pelas respectivas Câmaras de Vereadores, uma vez que a entidade possui reconhecimento de utilidade pública nos âmbitos municipal e estadual.
Essa é a SCAJHO, que a professora Leda Silva Kerber está registrando em livro a ser lançado neste ano. Há anos ela vem catalogando depoimentos e grande acervo fotográfico, além de partituras e composições escritas pelo próprio Sigwalt, tornando-se a fiel guardiã do precioso legado deixado por ele. A história sobre a cultura de Joaçaba e o povo culto que a cidade abriga é comprovada pela competência e garra que as pessoas possuem.
Tive a honra de ser eleito presidente da Scajho por duas vezes; fui vice-presidente, mestre de cerimônias, orador e colaborador nas diretorias social, de propaganda, imprensa, promoções e eventos. Participei mais ativamente a partir de 1977, quando minha esposa Marina, com seu belo timbre vocal, integrou o coral. Como não sei cantar, usei a experiência de muitos anos como radialista e passei a ser o apresentador - algo que sempre fiz com muito respeito, trajando smoking preto e gravata borboleta. Tive a felicidade de acompanhar o maestro durante décadas e registrei em áudio e em vídeo algumas das apresentações da orquestra e do coral, pelos três estados do Sul. Essas gravações comprovam o que estou contando, mostram momentos de inestimável valor.
Durante 44 anos a sociedade joaçabense teve o privilégio de conviver com Alfredo Sigwalt, reconhecido como o maior impulsionador dos movimentos culturais da região. Sua atuação foi decisiva: sem ele, pouco do que hoje existe culturalmente em Joaçaba e arredores teria se consolidado. À frente do cenário artístico por mais de quatro décadas, foi também o principal responsável pela existência do Teatro da SCAJHO, embora tenha falecido sem vê-lo concluído. Ao fomentar manifestações como a música, o canto, a dança, o teatro, ajudou a transformar Joaçaba em uma referência de elevado nível cultural.
Falar sobre o Maestro Sigwalt não é fácil, posso pecar por esquecer suas muitas e muitas qualidades. Lembro sempre da sua frase definitiva: "Uma cidade vale pela cultura de seu povo". Ele agia movido por amor à cultura artística, à cidade, aos alunos e músicos, e assim deu vida ao sonho de apresentar operetas e sucessos internacionais com solistas, coral misto, ballet e bailado, verdadeiras pérolas musicais.
Eu gostaria de revelar: conviver com o Maestro Alfredo Rudolfo Sigwalt era uma experiência enriquecedora. Natural de Castro-PR, descendente de tradicional família de artistas e músicos de Dresden, (Alemanha), dotado de extrema sensibilidade, foi um excelente violinista, compositor, arranjador e regente. Quanta cultura, quanto conhecimento, quanta delicadeza no trato com as pessoas. Ele escrevia as partituras para cada um dos participantes - músicos vindos dos três estados da região Sul. Nos ensaios mensais dava gosto ver a maneira com que conduzia os trabalhos e, quando algum músico errava uma passagem, Sigwalt se dirigia a ele reservadamente. Nas apresentações o seu modo elegante de conduzir a orquestra e o coral fascinava a todos.
Nas palavras da senhora Anna Lindner von Pichler, Presidente Benemérita da SCAJHO: “A cultura que vivenciei em meus sonhos de criança resplandece nos sorrisos de centenas de alunos que aprendem no Teatro que o sonho continua, porém na prática, embalado por mãos e mentes de bem, que nos permitem continuar sonhando”.
Como se percebe, o Teatro de Joaçaba é uma verdadeira escola gratuita de arte, nenhum aluno paga para aprender. É um privilégio, porém, uma enorme responsabilidade, cuja continuidade nos preocupa. Afinal, os governos passam mas a cultura precisa continuar. Por isso somos igualmente gratos pelo auxilio de empresas abnegadas e da mídia regional, que conhecem a nossa causa e nos ajudam a manter as diversas atividades, dando a oportunidade para crianças, jovens e adultos, fazendo do Teatro uma casa viva de cultura.
E que as futuras gerações continuem repetindo com orgulho as palavras da maravilhosa composição escrita pelo maestro Sigwalt: “Eu vou pela vida cantando, cantando de fronte erguida, cantando a gente esquece os males desta vida!”
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