Pedro Soccol: da formação de Medianeira à imprensa regional |
Da formação de municípios à governança digital: uma nova geração transforma uma história familiar em tecnologia institucional
Por: Pedro Soccol
Quando conheci melhor o trabalho de O Tempo – Jornal de Fato, chamou minha atenção a proximidade do jornal com a história dos municípios, das famílias, das instituições e das pessoas que ajudaram a construir a região. Por isso, acredito que exista uma afinidade natural entre a linha editorial do jornal e esta história.
Tenho grande apreço por Capinzal e pelos municípios do interior do Sul do Brasil, especialmente pelo trabalho de preservação da memória regional realizado por O Tempo. Ao organizar documentos, registros históricos e informações disponíveis, percebi que o melhor ponto de partida para essa história está no presente.
A Cognisynth e o desafio da governança digital
Minha trajetória começou no Direito e, progressivamente, incorporou governança, tecnologia, processos decisórios, gestão e arquitetura institucional. Dessa convergência nasceu a Cognisynth, desenvolvida a partir do Sul do Brasil para enfrentar um problema cada vez mais presente em governos, empresas e organizações complexas: como preservar autoridade, responsabilidade, evidência e memória institucional em operações digitais, automatizadas e de elevada complexidade.
A companhia desenvolve infraestrutura institucional para organizar operações nas quais contratos, documentos, responsabilidades, aprovações e decisões precisam permanecer verificáveis, rastreáveis e auditáveis.
Nesse contexto foi criado o Cognisynth Control Room, ambiente operacional que reúne documentos, contratos, participantes, responsabilidades, permissões, revisões humanas, decisões autorizadas, evidências de execução e histórico de auditoria.
A lógica é simples: documento, contexto, revisão, decisão autorizada, evidência e auditoria.
Cada operação pode ser organizada como um dossiê institucional, permitindo acompanhar sua evolução desde os documentos de origem até as análises, autorizações, alterações, execução e respectivas evidências.
O problema que a plataforma procura enfrentar é concreto. Em muitas organizações, contratos, pareceres, aprovações, medições, aditivos e documentos técnicos permanecem espalhados entre e-mails, mensagens, planilhas, pastas e diferentes sistemas. Quando surge a necessidade de reconstruir uma operação meses ou anos depois, torna-se difícil identificar qual documento estava vigente, quem analisou, quem autorizou, quais fundamentos foram utilizados e o que efetivamente foi executado.
Guardar arquivos não é suficiente. É necessário preservar a cadeia institucional que levou à decisão.
Aplicações no poder público
Essa arquitetura pode ter aplicações particularmente relevantes nas administrações públicas. Uma obra, por exemplo, envolve muito mais que sua execução física: há licitação, contrato, projeto, responsabilidades técnicas, licenças, cronogramas, medições, aditivos, fiscalização, ordens de serviço, pagamentos e prestação de contas.
Quando esses elementos estão fragmentados, aumentam o retrabalho, os custos administrativos, os riscos de utilização de versões incorretas e a dificuldade de reconstruir decisões.
Ao integrar documentos, competências, aprovações e evidências, o Control Room pode contribuir para ampliar a rastreabilidade, melhorar a coordenação e reduzir gargalos documentais, sempre de forma complementar aos sistemas oficiais, às exigências legais e às competências de cada órgão.
A mesma lógica pode ser aplicada a licitações, contratos administrativos, convênios, compras públicas, saúde, saneamento, infraestrutura urbana, iluminação, mobilidade, educação e prestação de serviços.
No caso dos municípios, há ainda uma questão essencial: a preservação da memória administrativa.
Mudanças de governo, secretários, servidores e fornecedores não deveriam significar a perda do conhecimento institucional. Contratos, autorizações, fundamentos, responsabilidades e evidências precisam permanecer pertencendo à instituição.
Essa realidade é especialmente significativa para os municípios do interior, onde equipes menores frequentemente administram múltiplas responsabilidades simultaneamente.
Do setor público às grandes organizações
O Control Room não se limita à administração pública. A mesma arquitetura pode ser aplicada a empresas e operações privadas de elevada complexidade.
Mineradoras, companhias de energia e infraestrutura, agronegócio e operações de importação e exportação lidam com grandes volumes de contratos, fornecedores, documentos, ativos, licenças, responsabilidades e decisões.
O denominador comum não é o setor econômico, mas a complexidade da operação.
Quanto maior o número de participantes, documentos, contratos e decisões, maior a necessidade de manter uma visão institucional coerente e verificável.
Inteligência artificial com autoridade humana
Um dos princípios centrais da Cognisynth é a separação entre inteligência e autoridade.
A inteligência artificial pode organizar informações, relacionar documentos, apoiar análises e apontar situações que mereçam atenção. A decisão, porém, permanece vinculada a uma pessoa autorizada, com competência e responsabilidade definidas.
Em síntese: a inteligência artificial estrutura informações; pessoas autorizadas decidem; o sistema registra e preserva o histórico.
O Control Room não pretende substituir executivos, departamentos jurídicos, procuradorias, engenheiros, fiscais, gestores públicos, tribunais de contas ou sistemas especializados. Sua função é conectar informações que normalmente permanecem dispersas e preservar a evolução de cada operação.
Estágio atual da Cognisynth
Uma versão avançada e demonstrável do Control Room já está construída. Os principais fluxos, módulos e mecanismos de governança podem ser apresentados em demonstração.
Atualmente, a plataforma encontra-se em fase de validação técnica e comercial, anterior à realização de um piloto controlado. O objetivo é testar aderência ao problema, usabilidade, requisitos institucionais e prioridades técnicas antes da utilização em ambientes operacionais de maior complexidade.
Também existe uma preocupação específica com segurança e proteção de dados. A utilização de informações reais e sensíveis somente deverá ocorrer depois de definidos e verificados os controles adequados de acesso, armazenamento, persistência e proteção.
Minha atuação está concentrada na arquitetura jurídica, institucional e estratégica da Cognisynth, especialmente em autoridade decisória, responsabilidades, requisitos de evidência, casos de uso e evolução do produto.
Gabriel Bussab responde pela arquitetura técnica do Control Room, atuando em engenharia de software, backend, APIs, integrações, infraestrutura e segurança.
A Kailash Technologies também participa como parceira tecnológica em desenvolvimento, engenharia, integrações e implementação.
Minha mãe, Flávia de Almeida de Oliveira Zanini, atua como consultora independente da Cognisynth, contribuindo em temas jurídicos, acadêmicos e institucionais relacionados à sua experiência profissional.
Uma agenda que começa no Sul e olha para o mundo
Paralelamente ao desenvolvimento tecnológico, a Cognisynth vem construindo uma agenda de interlocução internacional.
Na África Oriental, existe uma relação institucional com a East Africa Changemakers Ltd., da Tanzânia, voltada a governança, liderança, intercâmbio e possíveis oportunidades futuras de cooperação.
Também existem conversas com empresas e interlocutores africanos, além da aproximação progressiva com mercados da China, de outros países asiáticos e do Oriente Médio.
Os materiais institucionais já estão disponíveis em português, inglês, espanhol, chinês e árabe.
É importante, porém, distinguir relacionamento de implantação: essas iniciativas representam uma agenda de aproximação institucional e comercial, não capital já captado nem operações internacionais concluídas.
As raízes de uma história familiar
É nesse ponto que o presente encontra uma história familiar construída ao longo de diferentes gerações.
De um lado estão Direito, instituições, administração e vida pública. De outro, computação, tecnologia, sistemas e gestão.
Essa convergência ajuda a compreender o ambiente no qual surge a geração atual.
Um dos personagens mais importantes dessa história é Pedro Soccol, irmão do meu bisavô e um dos fundadores de Medianeira, no Oeste do Paraná.
Nascido em 1925, em Serafina Corrêa, Pedro Soccol chegou ao Oeste paranaense em 24 de agosto de 1950, aos 25 anos, para atuar como um dos diretores da Colonizadora Industrial e Agrícola Bento Gonçalves.
Participou da implantação, do planejamento e da organização do núcleo urbano que daria origem a Medianeira. Também esteve envolvido na organização comunitária, no movimento de emancipação, no desenvolvimento econômico e na estruturação de serviços de saúde e educação.
Sua contribuição permanece na própria geografia da cidade. Participou do planejamento urbano e da alteração do projeto que incorporou o conhecido traçado em “X”, formado pelas atuais avenidas Pedro Soccol e José Callegari.
Doou terrenos para estruturas comunitárias, incluindo áreas destinadas à Igreja Matriz, ao então chamado Colégio das Irmãs e ao Clube União.
Há ainda uma conexão especialmente significativa para uma pauta jornalística: Pedro Soccol foi patrono de O Encontro, apontado em registros históricos locais como o primeiro jornal de Medianeira.
Assim, um personagem ligado à formação física, econômica e institucional de uma cidade também esteve relacionado ao surgimento de sua imprensa local.
Sua trajetória alcançou igualmente Serafina Corrêa, onde participou do movimento de emancipação municipal e posteriormente recebeu o título de cidadão honorário.
Uma família ligada a instituições
Pelo lado materno, minha avó Darcy Sobreira Soccol foi a primeira mulher vereadora de Serafina Corrêa, presidiu a Câmara Municipal e, ao assumir temporariamente o Executivo, tornou-se a primeira mulher a comandar a Prefeitura. Atualmente, o plenário da Câmara leva seu nome.
Meu bisavô, Archimedes Antônio da Silva Almeida, construiu trajetória na advocacia gaúcha, foi conselheiro seccional da OAB/RS, vice-presidente da entidade por dois mandatos e recebeu o reconhecimento de Advogado Emérito pelo Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul.
Meu avô materno, Alfredo Ferreira de Oliveira, o “Carioca”, esteve ligado por décadas ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, participando do Conselho Deliberativo e de diferentes administrações do clube.
Minha mãe, Flávia de Almeida de Oliveira Zanini, mestre e doutora pela PUC-SP, professora, autora e advogada, desenvolveu trajetória no Direito Desportivo e na Justiça Desportiva. Atualmente preside a Sociedade Brasileira de Direito Desportivo em seu segundo mandato.
Pelo lado paterno, meu pai, Marcos Soccol, formado em Ciência da Computação, construiu carreira nas áreas de administração, marketing e gestão, trazendo ao ambiente familiar outra aproximação com tecnologia e sistemas.
Do passado institucional ao futuro digital
Não se trata de afirmar que essas trajetórias determinaram o surgimento da Cognisynth. São contextos históricos completamente diferentes.
Existe, porém, uma convergência interessante.
Gerações anteriores estiveram ligadas à formação de municípios, administração pública, Poder Legislativo, Poder Executivo, advocacia, OAB, esporte, computação e gestão.
A geração atual trabalha em outro cenário, mas volta a enfrentar uma questão essencial: como organizar autoridade, responsabilidade, decisão, evidência e memória institucional.
No passado, isso estava relacionado à construção de cidades e instituições físicas. Hoje, também envolve a infraestrutura digital que sustenta governos, empresas e organizações complexas.
É justamente essa passagem entre memória regional e transformação contemporânea que considero especialmente interessante para O Tempo.
A Cognisynth não aparece como um apêndice tecnológico da história familiar. Ela representa o capítulo contemporâneo dessa trajetória.
A proposta é construir, a partir do Sul do Brasil, uma infraestrutura capaz de dialogar tanto com uma prefeitura do interior quanto com grandes empresas e operações internacionais.
A escala muda. O problema fundamental permanece: saber quem podia decidir, com base em qual documento, depois de qual análise, com qual autorização e quais evidências permaneceram registradas.
Existe, portanto, uma possível pauta que une história regional, família, instituições, Direito, tecnologia e futuro.
De um lado, a formação de municípios, a construção de instituições e a memória preservada por gerações. De outro, uma nova geração desenvolvendo tecnologia para preservar a memória e a responsabilidade das organizações em um mundo cada vez mais digital.
Da formação de municípios à governança digital.
Do documento isolado à memória institucional.
Do interior do Sul do Brasil para organizações de elevada complexidade.
Tenho fotografias históricas e atuais, documentos, registros oficiais, matérias de imprensa, referências públicas, materiais institucionais e demonstrações do Control Room que podem ser disponibilizados para pesquisa e apuração.
Também posso encaminhar entrevista histórica gravada com Pedro Soccol e outros registros audiovisuais relacionados à trajetória familiar.
O contato com O Tempo tem caráter essencialmente editorial. Não apresento uma narrativa fechada nem pretendo interferir no enquadramento jornalístico. A equipe poderá pesquisar os documentos, conversar com as fontes, verificar as informações e definir livremente título, abordagem, personagens e extensão.
Caso o enfoque seja considerado de interesse, fico à disposição para encaminhar o acervo organizado por personagem e período histórico, além dos materiais institucionais e demonstrações do Control Room.
Agradeço pela atenção e pela abertura para conhecer esta história, que começa no interior do Sul do Brasil, atravessa diferentes gerações e chega agora a um novo capítulo na interseção entre Direito, instituições e tecnologia.
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