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É preciso dizer... (E é preciso assustar-se!...)

Euclides Riquetti

 

É preciso dizer... (E é preciso assustar-se!...)
 
                                                                  
                                                                           Euclides Riquetti
 
Vivemos em cidades charmosas, colonizadas por descendentes de italianos ou germânicos, com declives e aclives bastante acentuados, numa topografia altamente irregular. É assim nosso Vale do Rio do Peixe. Matas exuberantes cobrem os morros e formam os cílios dos riachos e de nosso majestoso rio, outrora piscoso, cujas águas já foram muito cristalinas, depois tornaram-se turvas ( e turbulentas).
Ouro e Capinzal não fogem à regra. São belas e prósperas. Por aqui já aconteceu “de tudo”, coisas boas e muitas barbaridades. São cidades onde acontecimentos tristes têm ocupado as notícias no âmbito microrregional ou até estadual. Tivemos perdas humanas que jamais serão compensadas, até porque a vida é irrecuperável. Coisas insignificantes, recorrentemente, ocupam os noticiários.
Mas os temas verdadeiramente sérios e importantes não têm sido debatidos. Meio ambiente e mobilidade urbana têm ficado em plano secundário. Deveriam ser discutidos à exaustão. Nas conferências das cidades estiveram na pauta, mas a participação popular não foi expressiva.
Os eventos adversos da segunda semana deste ano, em cidades do litoral carioca, nos remetem a uma reflexão profunda: De quem é a responsabilidade pelas catástrofes?
As catástrofes naturais podem acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar. No entanto, algumas delas podem e devem ser previstas e evitadas, ou minimizadas, e isso é responsabilidade dos governos e da sociedade. Note-se que as catástrofes que ocasionam a perda de vidas humanas são decorrentes de danos que o próprio homem já causou à Natureza. E elas podem, então, ser evitadas. Acima das leis, deve haver o bom senso e o conhecimento histórico do que já aconteceu em cada cidade.
Todo esse intróito é para chegar a um relato cujo conteúdo gostaria que você analisasse:
Há cerca de três anos, realizamos em Ouro um Seminário Regional do Meio Ambiente. Na oportunidade, um dos palestrantes referiu-se ao Furacão Katrina (ou Catarina), que ocorrera no litoral sul de Santa Catarina e que causara muitos prejuízos materiais. E sobre as Tsunamis, na Indonésia. Estudantes presentes indagaram se isso poderia se repetir, quando e onde, e se ia morrer gente. O palestrante disse que sim, e que “morreria gente, sim”. No intervalo, foi censurado pelo dito. Houve divisão de opinião sobre o que ele disse. Intelectuais a favor e intelectuais contra.
Passados poucos meses, a história nos mostrou algumas verdades: A Tragédia de Ilhota, Gaspar e Blumenau; a Tragédia de Angra dos Reis. E, agora, a maior delas: a das cidades do Rio de Janeiro.
Numa palestra que proferi para acadêmicos da UNOESC, apresentei imagens sobre algumas áreas de risco de Ouro e Capinzal, algumas incoerências que causam danos ambientais e relatei um pouco das histórias das anormalidades climáticas dos últimos 30 anos por aqui: As enchentes de 1983, os vendavais que ocasionaram a queda da ponte pênsil, os vendavais que destruíram florestas e edificações em Ouro, e os que destruíram  parte das instalações de uma agroindústria em Capinzal, bem como dezenas de residências no bairro São Cristóvão. As estiagens que ocasionaram prejuízos nas lavouras, as enxurradas que destruíram (e continuam destruindo) pontes e estradas, o granizo que destruiu casas em Linha Sagrado, e outras calamidades.
Tudo isso é muito preocupante: temos áreas de risco, altamente vulneráveis, e há de se retomar um debate necessário, em que surjam proposições e ações para minorar impactos ruins que poderão efetivar-se sobre nós. É preciso dizer... E é preciso assustar-se, sim!!!
 
Professor Euclides Riquetti
Articulador de Projetos em Ouro
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