ELOI CORREIA: UMA VIDA MARCADA PELAS BANDAS, FANFARRAS E PELA FORMAÇÃO DE GERAÇÕES |
Em entrevista para o documentário, Eloi Correia relembra sua trajetória iniciada em 1969, quando ingressou na fanfarra do Grupo Escolar Belisário Pena e, no ano seguinte, assumiu a regência. Ele conta como nasceu sua paixão pelas bandas e fanfarras, influenciado por Neucy Andrione, fala do aprendizado adquirido na prática, das dificuldades para obter instrumentos e uniformes e das conquistas que marcaram sua trajetória, incluindo dois títulos estaduais e o reconhecimento da Fanfarra Municipal de Capinzal. Eloi também destaca a importância das bandas e fanfarras na disciplina, união, amizade, formação cultural e convivência dos jovens, além de recordar a participação dos filhos Eder, Elanderson e Eduardo e a continuidade do trabalho pelo filho Elanderson, que assumiu a regência nos anos 1990. Um relato de dedicação, memória e legado que preserva uma importante página da história das bandas e fanfarras de Capinzal.
Qual foi a primeira banda da qual participou?
No ano de 1969, eu iniciei na fanfarra como instrumentista, convidado pelo regente que, na época, era Benjamin Silva, conhecido como Benjinho. Naquele período, ele passava pelas salas de aula fazendo a seguinte pergunta: quem já havia tocado algum instrumento de tambor e gostaria de participar da fanfarra? Foi dessa forma que recebi o convite para participar. Assim, em 1969, comecei como instrumentista, tocando um instrumento chamado tarola, que também era denominado repique. Já no ano de 1970, passei a assumir como regente da fanfarra do Grupo Escolar Belisário Pena.
Como nasceu sua paixão pelas bandas marciais? Quais foram suas principais influências ou mestres no início da carreira?
Minha paixão pela fanfarra nasceu ainda na infância, quando eu participava dos desfiles de 7 de setembro. Foi nessa época que surgiu meu interesse pela música e, especialmente, pelas fanfarras. Minha grande inspiração foi o Sr. Neucy Andrione, que era regente da fanfarra da escola de Zortéa. Ele costumava trazer sua fanfarra para participar dos desfiles de 7 de setembro, juntamente com as demais fanfarras, em Capinzal. Foi acompanhando aquelas apresentações e observando a regência do senhor Neucy Andrione que nasceu em mim essa paixão pela música e pela fanfarra, que mais tarde me levaria a ingressar e assumir a regência de uma fanfarra.
Como o senhor foi seu aperfeiçoando ao longo dos anos? Fez cursos ou aprendeu na prática?
O meu aperfeiçoamento sempre aconteceu por meio da motivação e dos ensaios constantes. Como eu gostava muito da atividade, buscava sempre aprender e melhorar. Fui adquirindo experiência principalmente na prática, com dedicação, observação e muito envolvimento com a fanfarra.
Naquela época, havia recursos suficientes para investir em instrumentos musicais, uniformes e equipamentos
Naquela época, os recursos para a aquisição dos instrumentos vinham da escola e do município. Já os uniformes eram, muitas vezes, confeccionados com a criatividade e o esforço dos próprios integrantes da fanfarra. Em algumas ocasiões, realizávamos promoções com a participação dos componentes para arrecadar recursos. Sempre tivemos também o apoio da comunidade, das escolas e do poder público. Esse apoio foi muito importante para a continuidade e o crescimento da fanfarra. Foi assim que, entre meados dos anos 1980 e o início dos anos 1990, fomos agraciados com o nosso primeiro uniforme de gala oficial do município, uma conquista muito significativa para todos nós.
Quais apresentações, concursos ou desfiles que mais marcaram sua trajetória?
A apresentação que mais me marcou foi quando, pela primeira vez, participamos, com a Fanfarra de Capinzal, de um Concurso Estadual de Bandas e Fanfarras.
Foi uma competição com julgamento oficial, que avaliava a uniformidade, a parte instrumental e todos os demais quesitos exigidos em um concurso.
Naquela ocasião, nosso uniforme era composto por camisas esportivas nas cores amarela, azul e branca, calça branca e tênis branco. Tudo era preparado de forma padronizada para atender aos critérios de avaliação dos jurados.
E, para nossa grande alegria e orgulho, conseguimos trazer para Capinzal o troféu de campeão estadual em nossa categoria. Foi uma conquista muito especial e um dos momentos que mais marcaram a minha trajetória junto à fanfarra.
Aquela vitória nos motivou ainda mais a participar de novas competições e também a buscar uma nova identidade para a fanfarra, inclusive com a adoção de um novo uniforme.
Na época, eu e Edgar Teixeira éramos os dois regentes da fanfarra. Nós usávamos uma camiseta branca, com punhos e gola na cor azul.
Os demais componentes do instrumental usavam camiseta e colete nas cores azul e amarelo, combinados com calça branca. Esse novo uniforme trouxe uma identidade visual diferente para a fanfarra e marcou uma nova fase de nossa trajetória.
Conquistamos o bicampeonato estadual, na nossa categoria, em uma competição realizada na cidade de Jaraguá do Sul. Essa vitória foi muito importante para a nossa trajetória, pois confirmou o trabalho, a dedicação e o empenho de todos os integrantes da fanfarra.
Quero frisar também que nossa motivação aumentou ainda mais quando recebemos, do poder público municipal, o uniforme de gala oficial. A partir desse momento, passamos a ser reconhecidos oficialmente como a Fanfarra Municipal de Capinzal, o que representou uma grande conquista para todos nós.
Com o novo uniforme, passamos a ter uma identidade própria e uma estrutura mais completa, contando com corpo coreográfico, comissão de frente, balizas e o corpo instrumental. Nos concursos, cada segmento era avaliado separadamente: a comissão de frente tinha seu próprio julgamento, as balizas também eram avaliadas individualmente, assim como o corpo instrumental.
Participamos de diversos concursos em cidades como Blumenau, Gaspar e outros municípios de Santa Catarina, conquistando títulos e nos tornando campeões em várias competições.
Nossa fanfarra foi ganhando tanto reconhecimento que, quando chegávamos a uma competição, as outras fanfarras já comentavam: “A Fanfarra de Capinzal está aí!”
Isso demonstrava o respeito e o reconhecimento que havíamos conquistado através de muito trabalho, dedicação e amor pela fanfarra.
Na sua opinião qual é a importância de uma banda para a formação dos estudantes e para a cultura do município?
Na minha opinião, a formação de uma fanfarra ou de uma banda para a juventude é muito importante, porque proporciona um verdadeiro laço de união, fraternidade e companheirismo entre os participantes.
É um espaço onde cada um pode ajudar, apoiar e incentivar o outro, sempre em busca de um objetivo comum: seja a conquista de um título de campeão, uma melhor apresentação ou, principalmente, o aperfeiçoamento de cada integrante.
Também considero muito importante o relacionamento e a convivência entre os jovens, tanto do sexo masculino quanto do feminino, pois nossas fanfarras sempre foram mistas, contando com a participação de meninos e meninas. Essa convivência proporcionava aprendizado, respeito, amizade e integração entre todos.
Para mim, essa história também tem um significado muito especial porque meus filhos Eder, Elanderson e Eduardo fizeram parte da fanfarra. Foi uma grande alegria poder compartilhar com eles essa paixão pela música e pela fanfarra. De maneira muito especial, meu filho Elanderson assumiu a regência a partir da metade dos anos 1990, permanecendo à frente da fanfarra até os anos 2000. Foi nesse momento que eu deixei a regência, passando a responsabilidade para ele e tendo a satisfação de ver meu filho dar continuidade ao trabalho que eu havia iniciado.
Para mim, foi uma grande realização ver essa paixão pela fanfarra continuar dentro da própria família.
Aldo Azevedo / jornalista
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