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MAIO LARANJA HU-UFSC reforça importância da notificação e do atendimento integral às crianças e adolescente em situação de violência sexual
Hospital integra, há mais de duas décadas, a rede de atenção integral às pessoas em situação de violência sexual em Florianópolis, e registrou 502 atendimentos de crianças e adolescentes entre 2020 e 2025
Entre 2020 e 2025, o HU-UFSC realizou 502 atendimentos relacionados à violência sexual em crianças e adolescentes de até 19 anos. O maior número de casos ocorreu na faixa etária entre 14 e 19 anos, com 344 atendimentos no período. Entre crianças de 10 a 14 anos, foram registrados 96 atendimentos. Também ocorreram 28 atendimentos em crianças de 1 a 4 anos, 21 entre 5 e 9 anos e 13 em menores de 1 ano. A médica pediatra Vanessa Platt, do HU-UFSC, destaca que a violência sexual contra crianças é um problema persistente em escala global. “A violência sexual é uma grave violação dos direitos sexuais e reprodutivos e uma das principais barreiras ao desenvolvimento psíquico e emocional, principalmente quando envolve crianças e adolescentes”, afirma. Segundo a médica, dados recentes, publicados pela revista científica The Lancet, em 2025, apontam que a violência sexual contra crianças afeta cerca de 15% a 20% da população mundial. “Uma a cada cinco mulheres e um a cada sete homens relatam relação sexual sem consentimento antes dos 18 anos”, explica. Vanessa ressalta que, apesar do avanço das políticas públicas e das campanhas de conscientização, a prevalência global da violência sexual contra crianças e adolescentes permaneceu relativamente estável nas últimas três décadas. “Isso demonstra ausência de progresso significativo global na redução desse agravo”, diz. “As estatísticas brasileiras apontam, ainda, que meninas e adolescentes, especialmente meninas e adolescentes, especialmente negras e em situação de vulnerabilidade social, estão mais suscetíveis a violências, principalmente a sexual”, aponta a enfermeira Viviane Fernandes Beserra, que atua no acolhimento a pessoas em situação de violência sexual no HU-UFSC.
O HU-UFSC integra, desde o ano 2000, a Rede de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Raivs) de Florianópolis, criada há 26 anos. A rede reúne serviços de saúde, assistência social, segurança pública e sistema de justiça para garantir atendimento integral às pessoas em situação de violência sexual. O protocolo da rede prevê atendimento especializado nas primeiras 72 horas após a violência. “O protocolo normatiza os fluxos de atendimento, exames, profilaxias para infecções sexualmente transmissíveis e contracepção de emergência, além do seguimento em rede”, explica a médica. No HU-UFSC, são realizados atendimentos integrais a crianças, adolescentes e adultos em situação de violência sexual, além da interrupção legal da gravidez nos casos previstos em lei. De acordo com a enfermeira Viviane Fernandes Beserra, um dos grandes desafios para o atendimento às pessoas em situação de violência sexual é a escuta qualificada. “É fundamental promover uma escuta acolhedora, humanizada e especializada, com o propósito de não revitimizar quem já sofre pela situação de violência”, comenta. Notificações A médica Vanessa também destaca a importância da notificação compulsória dos casos suspeitos ou confirmados de violência sexual. “A notificação protege a criança e o adolescente, tira esse agravo da invisibilidade e gera números que sensibilizam os gestores para a criação de políticas públicas de prevenção e combate ao agravo”, afirma. Em Florianópolis, foram registradas 575 notificações de violência sexual em 2025. Em 2026, até o momento, já foram registradas 248 notificações. Outra ferramenta importante é o Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. “A denúncia pode ser feita de forma anônima. Mesmo quem não quer se envolver diretamente pode relatar suspeitas de violência”, orienta Vanessa. De acordo com a enfermeira Viviane Fernandes Beserra, a educação pode ser o melhor caminho para a prevenção. “Nos últimos anos houve um aumento no número de notificações e denúncias. Está acontecendo um maior debate na mídia e nas redes sociais. Porém, falar de violência e educação sexual em casa e na escola ainda é tabu. Enquanto isso o silêncio só protege o agressor. É necessário ter conhecimento sobre sexualidade, limites e consentimento para reconhecer uma violência sexual e, principalmente, para saber como pedir ajuda”, completa. Sobre a HU Brasil O HU-UFSC faz parte da Rede HU Brasil desde março de 2016. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência. O TEMPO jornal de fato desde 1989: https://chat.whatsapp.com/IENksRuv8qeLrmSgDRT5lQ https://www.facebook.com/aldo.azevedo.5/ https://www.facebook.com/otempojornaldefato/ |
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