Crises também geram oportunidades

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- Turma do Programa Estratégias Empresariais
Em 1997, países do sudeste e nordeste asiático enfrentaram crise financeira que desvalorizou suas moedas, interrompeu o crescimento econômico e provocou queda de governos.
Em 1997, países do sudeste e nordeste asiático enfrentaram crise financeira que desvalorizou suas moedas, interrompeu o crescimento econômico e provocou queda de governos. Nos anos seguintes, afetou outros países, entre eles, o Brasil, que na década de 90 deixou entrar crescentes quantias de capital estrangeiro sem controle, o que aumentou o endividamento externo do País. O déficit em transações correntes era considerado elevado e indicava dependência em relação aos capitais estrangeiros e vulnerabilidade a crises internacionais. O ataque especulativo levou a um aumento das taxas de juros e de desemprego.
Com dificuldades de conseguir uma vaga de trabalho, foi nesse cenário que, em setembro de 1997, Graciele Fedrigo Deak, iniciou seu próprio negócio como profissional autônoma. Suas principais experiências profissionais eram como vendedora, caixa de supermercado, no setor administrativo de um frigorífico e telefonista. "Como estava difícil conseguir um emprego, decidi produzir, em casa, lasanha e risólis para comercializar. Para isso, procurei Cleci Muller, renomada doceira e salgadeira de Chapecó com o objetivo de aperfeiçoar meus conhecimentos na área. O negócio deu tão certo que, em 2003, veio a formalização", conta.
Hoje, difícil é encontrar em Chapecó - cidade com 210 mil habitantes - alguém que não conheça os famosos salgados e doces da Delícias da Grazzi. Natural da Linha Independência, ela destaca o importante apoio do marido Marcelo Deak que, na época, trabalhava durante o dia e estudava a noite, mas mesmo assim, conseguia ajudá-la e incentivá-la, o que foi essencial para o andamento do negócio.
Grazzi lembra que tudo era produzido na cozinha da família. "Para buscar clientes, saíamos para divulgar e oferecer nossos produtos de porta em porta. Anotávamos o pedido, produzíamos e, em seguida, fazíamos a entrega. Como o Marcelo trabalhava fora, na maioria das vezes eu fazia todo esse processo", comenta a empresária, destacando que as vendas nem sempre cobriam as despesas e, por isso, era necessário repensar algo para equilibrar os gastos.
As dificuldades foram grandes, as críticas ocorriam, mas eram construtivas e serviram como impulso para melhorar. "Como tínhamos pouca experiência, algumas vezes, os salgados voltavam, o que nos deixava desanimados, porém nunca pensamos em desistir. Inovamos, melhoramos a cada dia e conquistamos nosso espaço no mercado", enfatiza Marcelo.
Após mudarem de residência algumas vezes e adquirir um telefone fixo, o que foi essencial para ampliar a gama de clientes, o casal investiu na casa própria em 2001, no bairro Maria Goretti, onde a empresa está localizada até o momento. "Nesse período, o empreendimento crescia de forma expressiva e, por isso, investimos em uma cozinha maior, sempre de acordo com os padrões da Vigilância Sanitária. Foi uma fase de muito trabalho. Enquanto a Grazzi produzia os salgados e doces, eu trabalhava fora para garantirmos renda suficiente para ampliar os negócios", realça Marcelo.
Em 2005, após a participação no Programa Alimento Seguro (PAS), desenvolvido pelo Senac e Sebrae/SC, a empresa deu um salto. "Com a participação nesse curso, aliado aos investimentos, a evolução foi grande. Adquirimos máquinas, espaço para estoque e, em função da alta demanda, em 2007, alugamos outra residência para morar, visando utilizar a estrutura toda do local em que estávamos para a Delícias da Grazzi", ressalta a empresária.
Em 2010, houve necessidade de novos investimentos, tanto em estrutura, quanto de equipamentos. Marcelo atuou de 1993 a 2003 como professor de informática no Senac e graduou-se em Direito pela Unochapecó, profissão que não exerceu, pois a demanda da empresa crescia significativamente e ele passou a dedicar-se somente aos negócios da família, juntamente com a esposa.
Consolidada no mercado e reconhecida pela excelência nos produtos, a Delícias da Grazzi está passando por nova reformulação. A estrutura física está em fase de ampliação e modernização e o espaço foi adequado para café da manhã e lanches. O foco atual é lanches e bebidas, comercialização de congelados e venda de salgados, tortas e diversos outros doces por encomenda.
ESTRATÉGIAS
Grazzi e Marcelo fazem parte do seleto grupo de empresários e gestores de pequenas empresas consolidadas no mercado que participaram do Programa Estratégias Empresariais. A iniciativa foi promovida pelo Sebrae/SC e Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom), no período de julho a agosto deste ano, com o objetivo de promover análise do ambiente empresarial, identificando pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças para elaborar e implementar um plano de ação estratégica na gestão dos negócios.
Quando abriu o curso no mês de julho, a consultora credenciada ao Sebrae/SC, Jacqueline Ferreira Gomes, que atua na área de planejamento e marketing, ressaltou que o cenário está cada vez mais competitivo e, ainda considerando o contexto de instabilidade, é urgente que empresas que busquem ser competitivas, pensem e tracem ações e estratégias para atuar diante das mais diversas variáveis que ameaçam e oportunizam empresas de um mercado.
Explicou que, junto com as oportunidades e desenvolvimento, vem a dificuldade de gerir os negócios e, é neste momento, que as empresas tendem a sofrer mais com as ameaças e dificuldades na gestão. "O Programa Estratégias Empresariais surgiu justamente para auxiliar os empreendimentos que estão em estágio de crescimento e amadurecimento".
Ao encerrar as atividades, recentemente, Jacqueline realçou que a turma foi excelente. "Tivemos empresários e gestores de empresas participativos e extremamente comprometidos com as atividades do curso. Eles perceberam desde o início a importância das estratégias para identificar oportunidades, o que desconstrói os argumentos da crise, ou seja, com avaliação correta do mercado, é possível vislumbrar, se posicionar estrategicamente e projetar crescimento no mercado", finalizou.
O analista técnico do Sebrae/SC, Eduardo Sganzerla, valorizou a participação das empresas no programa e destacou que a partir de agora estão preparadas para os desafios do mercado. "O feedback de empresários que participaram da solução tem demonstrado que os resultados são expressivos quando aplicadas as ferramentas transmitidas nas aulas e nas consultorias".
Para Grazzi e Marcelo, o curso auxiliou a se posicionar no mercado e serviu como instrumento para o autoconhecimento. "Foi importante porque estamos num processo de mudança física, identificamos pontos fracos para melhorar a própria empresa e avaliar como estamos no mercado. Apesar do atual cenário econômico, tivemos visão e segurança para expandir os negócios", concluíram.
Segundo os empresários, a empresa nunca parou de crescer. "Ano após ano, em maior ou menor velocidade, sempre crescemos. O Programa Estratégias Empresariais foi uma oportunidade de mostrarmos ao cliente que não estamos com medo da crise. Temos muito orgulho das nossas conquistas e do reconhecimento que recebemos dos clientes".
PROGRAMA
O programa foca os seguintes temas: conhecer o que é estratégia e o processo estratégico, análise do ambiente empresarial, análise da empresa definindo pontos fortes e fracos, estratégias para a empresa crescer e elaborar plano de ação estratégico e implantação. O curso, formado por 28 horas de capacitação mais 18 horas de consultoria, une conceitos, teoria e aplicação prática, o que auxilia a tornar mais efetivas as decisões estratégicas nas empresas.
MARCOS A. BEDIN
MB Comunicação Empresarial/Organizacional
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