Mario Eugenio Saturno (https://www.facebook.com/Mario.Eugenio.Saturno/ ) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniItalo e congregado mariano.
Dias atrás, os católicos meditaram o Evangelho de João (10,11-18) sobre o bom pastor: disse Jesus, eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge.
Na Igreja Católica, o termo "pastor" é utilizado para o bispo geralmente, mas o Catecismo (CIC 1535) diz que é também para o presbítero e o diácono. Fora da Igreja, banalizou-se e qualquer um que queira se faz como Jesus, intitulando-se pastor.
Exercer o pastoreio do povo de Deus é uma função nobre, mas de grande responsabilidade. Não precisa pensar muito para deduzir que o Pastor de Cristo é, principalmente, um administrador da Palavra, da Graça e do dinheiro de Deus, não? E que o fiel é responsável pelas ações de um mau pastor.
1) Para administrar a Palavra, o pastor, atualmente, tem que saber bem a Língua vernácula, o Português, no nosso caso, especialmente, para evitar erros graves como daquele pastor que cometeu adultério crendo ser ordem de Deus.
E tem que conhecer a língua original da Bíblia dos primeiros cristãos, o Grego Koiné, afinal, nenhuma tradução é boa o suficiente, sempre se perde alguma coisa. Para bem entender o contexto histórico tanto do Antigo, como do Novo Testamento, precisa estudar a História dos povos semitas, dos judeus e Israelitas, dos cristãos, especialmente, da Patrística, período dos primeiros intérpretes da Igreja.
Também é preciso ter uma boa noção do Hebraico para sanar dúvidas. Não precisa saber muito, sabe por quê? Infelizmente, o Hebraico até o século IX não tinha vogais, ou seja, muitas palavras são escritas do mesmo jeito, dificultando a leitura e o entendimento correto. Colocar sinais de vogais ou traduzir para o grego envolveu interpretação e escolha. É difícil entender a dimensão disso?
2) Para administrar a Graça, o Pastor precisa estudar e entender os 7 "mysterium" (como os discípulos dos apóstolos chamavam os ritos, aliás, prefigurados no Antigo Testamento, que o próprio Jesus deixou para a Igreja e que os patrísticos normalizaram e instituíram na "ekklesia kath holes" (At 9,31). Também é preciso que o pastor entenda a diferença entre Sacramento (o tal misterium, traduzido para o Latim como sacramentum) e sacramental para bem aplicá-los. E celebrar o pão e vinho (eucaristô, ação de graças) todos os dias e não somente uma ou duas vezes por semana. O pastor precisa saber disso tudo e cumprir.
3) Ao pagar o dízimo da Igreja, o fiel tem a noção de que não é obrigação aplicar aquela situação da Bíblia (10%) para a Igreja de Cristo? É bíblico, mas que não se deve seguir ao pé da letra. Ou alguém apedreja todo pecador até a morte conforme Êxodo e Deuteronômio? Matar o pecador é tão bíblico quanto pagar o dízimo.
O fiel deve sustentar a Igreja de Deus, voluntariamente no que puder e quizer, conforme vemos nos escritos de Justino Mártir em Apologia I, em 156 d.C. e Tertuliano em Apologético, em 197 c.C..
Se o pastor usa o dízimo de Deus para seu luxo pessoal, ele serve a riqueza (Mt 6,24) e o fiel peca também, pois torna-se cúmplice ao financiar o pecado dele.
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