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Ensino religioso nas escolas: combate ao fundamentalismo

“Professor, eu até entendo os homossexuais, mas não aceito, pois contraria o que diz a Bíblia”

Prof. Evandro Ricardo Guindani / Universidade Federal do Pampa - Unipampa


Esa foi uma frase que ouvi de um aluno que entrou na universidade no ano de 2020. Depois disso comecei a defender com mais força a importância do ensino religioso nas escolas. Penso que seu papel seja o de problematizador das crenças. O fundamento do ensino religioso jamais deve ser a Teologia, mas pelo contrário deve fundamentar-se nas Ciências da Religião, que compreendem um conjunto de conhecimentos interdisciplinares construidos a partir da Filosofia, Historia, Psicologia e Antropologia.

O Ensino religioso deve levar os alunos a questionarem suas próprias crenças. Uma instituição de ensino é contribuir para que as pessoas saibam usar o conhecimento científico em sua vida pessoal. Assim como nas aulas de português, aprendemos a nos comunicar de forma adequada, nas aulas de ensino religioso, devemos aprender a pensar de forma livre, sem ser fundamentalista ou fanático.

O Ensino religioso deve ser visto como a Ciência das Crenças. Cada vez mais sofremos com a violência, com o feminicídio, homofobia, apologia ao nazismo e às ditaduras. Todas essas práticas estao apoiadas em crenças e valores. E que muitas vezes se apoiam em tradições religiosas, quase sempre distorcidas pelos seus praticantes.

Em síntese, todo e qualquer conhecimento abordado dentro de uma instituição de ensino em um Estado laico como o nosso, deve ter como pilar o conhecimento científico e a Constituição, jamais a Bíblia ou qualquer outro livro ou símbolo religioso. O problema não é o símbolo em si, mas a forma como ele é usado e interpretado pelas pessoas.

Em uma época em que proliferam a adesão a ideias fechadas no campo moral, político e religioso, o ensino religioso deve assumir o papel de ciência das crenças e colocar tudo sob o crivo da ciência e da razão. E deve combater toda forma e tentativa de imposição de crenças por parte de quem quer que seja, alunos, pais, professores, etc...

O único lugar que cabe uma crença é no cérebro de quem acredita, e nada mais. A pessoa tem toda a liberdade para acreditar em algo, porém, deve saber que aquilo vale apenas pra ela. O conhecimento científico é diferente. A fórmula química da água (H20) é válida para todos nós, por outro lado, a crença em “deus” não! Por que? Porque você não pode demonstrar cientificamente, simples assim. Isso não quer dizer que o “deus” que você acredita não existe, quer dizer apenas, que ele não pode ser ensinado aos outros, por meio de uma lógica racional. A ciência permite o diálogo porque se baseia em ideias compartilhadas e aceitas, ou refutadas, na mesma lógica e com as mesmas regras. Se “deus” fosse um conceito científico, haveria uma única igreja, uma única religião.

O ensino religioso deve ser cada vez mais incentivado e deve ser ministrado prioritariamente por professores que não praticam nenhuma religião, para que não seja influenciado por nenhuma teologia, por nenhum discurso religioso sobre a divindade.


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